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Tag Archives: Livework

por Marcos Paulo:

entrevista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá se foi 2012.

Quando iniciamos um novo ano, o que mais temos em nossas cabeças são projetos, não é mesmo? Se sua ideia for um projeto de inovação em serviços, aí vai uma dica.

Sempre frisamos que a premissa de nosso trabalho deve ser a preocupação em desenvolver soluções que façam diferença na vida das pessoas. Para que isso aconteça, é necessário entendê-las.

A melhor maneira de coletar informações de forma inspiradora e rica é fazer o que chamamos de Entrevista de Profundidade ou “EP”. Uma EP nada mais é do que uma conversa informal com usuários reais de um determinado serviço, com o intuito de entender necessidades e comportamentos por meio do relato de suas experiências.

Você deve estar pensando: Ok, mas como eu faço isso?

Primeiro você deve identificar e entender com quem você precisa conversar. Que pessoas irão contar histórias cheias de experiências boas e ruins que te ajudarão no decorrer do projeto. Uma boa tática é mapear os perfis extremos que de alguma maneira se relacionam com o serviço em questão. Explico: Se você conseguir desenvolver soluções relevantes para aquele rapaz que vai ao cinema vestido de Darth Vader e ao mesmo tempo engajar aquela pessoa que prefere ver Tela Quente a sair para pegar um cineminha, sem dúvida alguma os usuários “normais” também serão bem atendidos.

Algo que muitos deixam de fazer é se preparar. Antes de sair a campo, defina e monte uma estrutura que deixe muito claro o que você quer descobrir. Para alguns tópicos chave, você pode pensar em atividades que ajudem a extrair as informações de maneira mais lúdica. Além disso, pausas para dinâmicas ajudam a dar a sensação que a entrevista foi mais rápida do que realmente é. Vale lembrar que é sempre bom testar a entrevista com alguém da sua equipe ou amigo para avaliar se está tudo funcionando bem. Afinal, sempre é bom prototipar.

O ideal é que tenha pelo menos duas pessoas na equipe da entrevista. O entrevistador é responsável apenas por falar com a pessoa, sendo sua única preocupação conduzir e criar um vínculo de empatia com o entrevistado. Já a pessoa de suporte é responsável por realizar o registro com gravações de áudio, vídeo (não se esqueça de deixar os equipamentos carregados) e organização das atividades, antes, durante e depois da entrevista.

É importante que a pessoa entrevistada esteja a vontade. Dito isso,  procure combinar o bate-papo em um local lhe seja familiar, como em sua casa ou trabalho. Outro recurso interessante é incentivar que a pessoa convide um familiar ou amigo próximo para participar. Além de deixar o usuário mais a vontade, a outra pessoa poderá confirmar (ou não) o que ele está falando.

Agora vem a parte mais legal: a entrevista. Comece fazendo uma apresentação da sua equipe e do projeto que está fazendo. Enfatize a importância da participação do entrevistado e peça permissão para gravar o bate papo. As pessoas no geral gostam de contar suas histórias, sua missão será apenas manter a conversar fluida e dentro do que você planejou.

Por não ser uma entrevista linear, muitas vezes o entrevistado pode começar a “viajar” em outros assuntos, isso não é necessariamente um problema, muitas informações relevantes saem justamente nesses momento (não deixe de anotar), porém cabe a você saber a hora de colocar a conversa nos trilhos novamente conectando algo com o assunto central. Não se esqueça de sempre perguntar como, onde, quando e por que e cuidado com os momentos de silencio, isso pode causar desconforto nas pessoas.

Quando terminar, agradeça a participação e explique quais são os próximos passos do projeto. Ah! É comum em casos de recrutamento a entrega de uma recompensa pela participação além e assinar um formulário de consentimento para o uso das informações da entrevista.

Logo após a entrevista, aproveite que as informações ainda estão “frescas” em sua mente, e anote os 10 pontos que considera mais relevantes para o projeto. Ou seja, elenque os top 10 insights.

É isso ai! Além de ser uma ótima forma de coletar informações, uma Entrevista de Profundidade sem dúvida alguma é uma experiência transformadora. Portanto, em seus próximos projetos, não deixe de mergulhar na vida das pessoas.

Que 2013 seja um ano de transformações.

@marcoz_paulo
FB: Marcos Paulo

por Gustavo Bittencourt:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olá!

Desde que comecei a me interessar e a estudar Design de Serviços e Design Thinking eu me deparo com questões semelhantes, vindas de pessoas de diversas áreas, especialmente designers. Não seria uma moda? Algo que veio mas que amanhã vai ser substituído por um termo novo ou por alguma coisa mais legal? Isso é relevante? Bruce Nussbaum, que escreve para revistas e blogs importantes, aproveitou para tentar surfar essa onda em artigos que falam sobre a morte do Design Thinking.

É fato que o tema tem atraído muita atenção nos últimos anos e que por isso pode ser visto como um modismo, mas é muito mais. Olhar para o passado pode elucidar essa questão.

O Design como disciplina surgiu com a Bauhaus a partir de uma demanda da Revolução Industrial. No passado, tudo era feito por artesãos, em escala reduzida e com bastante relevância, já que cada item levava em consideração as necessidades específicas de quem iria utilizá-lo. A Revolução trouxe o ganho de eficiência e a possibilidade de se produzir em grandes escalas. Mas o que estava sendo produzido não era mais tão relevante. O designer surge então como a fusão do Artesão com o Engenheiro, e seu papel é dar mais significado as coisas produzidas pelas máquinas.

Mas o que aconteceu depois disso? Com o passar do tempo o designer foi perdendo relevância e sendo jogado para o final do desenvolvimento, virou a pessoa que deixa as coisas bonitas, o criador da “casquinha”. Tínhamos poucas informações sobre o que estávamos consumindo, o marketing de mensagens dizia o que o produto deveria ser e os CEO’s ocupavam seu tempo tomando decisões de dentro para fora e eram considerados pop stars por isso.

Mas esse mundo mudou, e já mudou tem bastante tempo. E aquele cara que fazia “casquinhas” passou a sentar com a alta gestão das empresas, pensar em estratégias de negócio, ajudando a criar soluções mais relevantes para as pessoas, isso é Design Thinking (quer aprender? pergunte-me como:) . É a volta da busca pela relevância, é a segunda Bauhaus. A abordagem do design extrapolou a disciplina tradicional e encontrou profissionais das mais variadas formações, engenheiros, médicos, administradores e por aí vai. É muito difícil portanto encarar tudo isso como um mero modismo.

O mais importante é tomar cuidado com quem se aproveita disso para alcançar fama, e fala sobre o tema com a profundidade de um pires, causando mais confusão do que benefício.

Obrigado!

@gus_bittencourt