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Tag Archives: DTBR

Post escrito pela leitora Giovana Facione, designer de produto apaixonada por Design Thinking, cozinhar e andar de bicicleta nas horas vagas. 🙂

Fico feliz em compartilhar no blog a contribuição do Design Thinking em meu Trabalho de Conclusão de Curso em Design de Produto. Meu projeto foi inspirado em workshops, artigos e publicações da área, porém o livro Design Thinking Brasil definiu meu pensamento a respeito da construção do trabalho. Com uma base teórica ampla e fundamentada, me ajudou a compreender o processo de design como pensamento centrado no ser humano.

Conforme sugere o livro DTBR, o DT é sustentado por três pilares: empatia, colaboração e experimentação. Apresentarei sob esta ótica as principais ferramentas que contribuíram para a obtenção do resultado do projeto.

O desafio do projeto foi desenvolver uma proteção corporal para coletores de lixo domiciliar. Este trabalhador está inserido em um ambiente insalubre, sujeito a acidentes que podem colocar sua vida em risco, além do enorme preconceito que sofre por lidar com o lixo.

Empatia é sobre mergulhar no universo das pessoas, entender desejos e necessidades e assim construir soluções encantadoras, mesmo para quem lida com lixo (por que não?). Para conseguir entrar na realidade do coletor de lixo foi necessário descobrir o que gosta de fazer nas horas de lazer, entender como vive, quais são seus valores e principalmente o impacto que o trabalho tem em sua vida. Dentre diversas ferramentas aplicadas, cabe ressaltar o uso do Storyboard e da Participação como ponto chave do trabalho. A ferramenta Storyboard é “uma maneira rápida, lúdica e econômica de evidenciar cenários de uso” segundo o livro DTBR. O intuito foi tangibilizar acontecimentos relevantes para o projeto e comunicar de forma simples as observações feitas em campo.


Storyboard

Storyboard do projeto

A segunda ferramenta utilizada foi a Participação, onde tive a oportunidade de experimentar em campo um pouco do que os coletores passam na realidade e assim entender realmente a experiência que tem todos os dias.

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Sentindo a experiência de trabalho dos coletores.

Colaboração é o segundo aspecto que compõe o pensamento do Design Thinking, e em síntese é sobre envolver as pessoas que estão dentro do contexto do projeto para que contribuam com ideias. Desta forma a solução final conta com diversos pontos de vista e acaba sendo mais rica e relevante. A solução final começou a ser definida após a co-criação, momento em que muitos fatos relevantes surgiram.

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Workshop de co-criação com a participação de coletores.

experimentação, terceira essência do DT, tem a ver com errar cedo, aprender rápido e assim evoluir as ideias com um baixo custo para o projeto. A experimentação foi aplicada em diversos momentos e de maneiras diferentes. Inicialmente por meio de sketchs e em seguida através do desenvolvimento de um mock-up, espécie de modelo do produto final com materiais e estrutura simplificados. Assim a solução final começou a tomar forma para que os ajustes necessários pudessem ser feitos.

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Mock-up da alternativa para a proteção dos pés e pernas.

Em resumo, a estrutura do projeto foi construída levando em consideração os três pilares do Design Thinking. Para compreender o cenário foi  preciso existir empatia com os usuários, para facilitar a comunicação e a compreensão das ideias foi necessário aplicar a experimentação, e por fim, a colaboração foi importante durante o processo de criação para obtenção de novos e relevantes pontos de vista. Sem a aplicação do DT, dificilmente o trabalho teria identificado com tamanha profundida a essência do problema a ser solucionado, a resposta está nas pessoas!

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Conceito final desenvolvido para proteger os pés e a área inferior das pernas.

Registro aqui meus sinceros agradecimentos aos escritores do livro, Tennyson Pinheiro e Luis Alt pela inspiração!

– Giovana Facione

E aí, gostaram? Para saber mais sobre o projeto da Giovana, acessem https://mergulhoexperiencial.jux.com ou www.be.net/giovanafacione . 🙂

por Marcos Paulo:

entrevista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá se foi 2012.

Quando iniciamos um novo ano, o que mais temos em nossas cabeças são projetos, não é mesmo? Se sua ideia for um projeto de inovação em serviços, aí vai uma dica.

Sempre frisamos que a premissa de nosso trabalho deve ser a preocupação em desenvolver soluções que façam diferença na vida das pessoas. Para que isso aconteça, é necessário entendê-las.

A melhor maneira de coletar informações de forma inspiradora e rica é fazer o que chamamos de Entrevista de Profundidade ou “EP”. Uma EP nada mais é do que uma conversa informal com usuários reais de um determinado serviço, com o intuito de entender necessidades e comportamentos por meio do relato de suas experiências.

Você deve estar pensando: Ok, mas como eu faço isso?

Primeiro você deve identificar e entender com quem você precisa conversar. Que pessoas irão contar histórias cheias de experiências boas e ruins que te ajudarão no decorrer do projeto. Uma boa tática é mapear os perfis extremos que de alguma maneira se relacionam com o serviço em questão. Explico: Se você conseguir desenvolver soluções relevantes para aquele rapaz que vai ao cinema vestido de Darth Vader e ao mesmo tempo engajar aquela pessoa que prefere ver Tela Quente a sair para pegar um cineminha, sem dúvida alguma os usuários “normais” também serão bem atendidos.

Algo que muitos deixam de fazer é se preparar. Antes de sair a campo, defina e monte uma estrutura que deixe muito claro o que você quer descobrir. Para alguns tópicos chave, você pode pensar em atividades que ajudem a extrair as informações de maneira mais lúdica. Além disso, pausas para dinâmicas ajudam a dar a sensação que a entrevista foi mais rápida do que realmente é. Vale lembrar que é sempre bom testar a entrevista com alguém da sua equipe ou amigo para avaliar se está tudo funcionando bem. Afinal, sempre é bom prototipar.

O ideal é que tenha pelo menos duas pessoas na equipe da entrevista. O entrevistador é responsável apenas por falar com a pessoa, sendo sua única preocupação conduzir e criar um vínculo de empatia com o entrevistado. Já a pessoa de suporte é responsável por realizar o registro com gravações de áudio, vídeo (não se esqueça de deixar os equipamentos carregados) e organização das atividades, antes, durante e depois da entrevista.

É importante que a pessoa entrevistada esteja a vontade. Dito isso,  procure combinar o bate-papo em um local lhe seja familiar, como em sua casa ou trabalho. Outro recurso interessante é incentivar que a pessoa convide um familiar ou amigo próximo para participar. Além de deixar o usuário mais a vontade, a outra pessoa poderá confirmar (ou não) o que ele está falando.

Agora vem a parte mais legal: a entrevista. Comece fazendo uma apresentação da sua equipe e do projeto que está fazendo. Enfatize a importância da participação do entrevistado e peça permissão para gravar o bate papo. As pessoas no geral gostam de contar suas histórias, sua missão será apenas manter a conversar fluida e dentro do que você planejou.

Por não ser uma entrevista linear, muitas vezes o entrevistado pode começar a “viajar” em outros assuntos, isso não é necessariamente um problema, muitas informações relevantes saem justamente nesses momento (não deixe de anotar), porém cabe a você saber a hora de colocar a conversa nos trilhos novamente conectando algo com o assunto central. Não se esqueça de sempre perguntar como, onde, quando e por que e cuidado com os momentos de silencio, isso pode causar desconforto nas pessoas.

Quando terminar, agradeça a participação e explique quais são os próximos passos do projeto. Ah! É comum em casos de recrutamento a entrega de uma recompensa pela participação além e assinar um formulário de consentimento para o uso das informações da entrevista.

Logo após a entrevista, aproveite que as informações ainda estão “frescas” em sua mente, e anote os 10 pontos que considera mais relevantes para o projeto. Ou seja, elenque os top 10 insights.

É isso ai! Além de ser uma ótima forma de coletar informações, uma Entrevista de Profundidade sem dúvida alguma é uma experiência transformadora. Portanto, em seus próximos projetos, não deixe de mergulhar na vida das pessoas.

Que 2013 seja um ano de transformações.

@marcoz_paulo
FB: Marcos Paulo

por Fabio Amado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ahhh férias! Tirei as minhas na semana passada. Parar de pensar no trabalho? Jamais! Rsrs. Não que eu seja um “workaholic”, mas desde que conheci a abordagem do Design Thinking comecei a aplicar inevitavelmente em todas as situações da minha vida.

Nessa segunda eu e o Gustavo Bittencourt apresentamos o tema em um bate papo para umas 60 pessoas na Escola São Paulo, e muitos dos participantes pediram vários tipos de exemplo da aplicação da abordagem. Ao buscar na minha mente um caso recente, lembrei do planejamento da minha viajem de férias.

Situação peculiar: minha família é enorme e muito unida! Marcamos de ir em 8 de nós, juntos para Nova York! Como resolver o roteiro de 8 pessoas de estilos totalmente diferentes indo compartilhar 1 semana na cidade mais cosmopolita do mundo?

Design Thinking!

Pensei em aplicar um workshop com usuários, que fizesse com que todos co-criassem um só roteiro de viagem que fosse desejável, financeiramente viável e tecnicamente possível para todos. De início pedi que todos com interesses particulares já fizessem uma desk research e pesquisassem lugares que gostariam de visitar. Com a ajuda de um guia turístico e muitas dicas de amigos e blogs, selecionamos o que um bom turistão não poderia deixar de conhecer.

Anotamos cada item – passeios, lojas, restaurantes, eventos, museus e etc. – em post its de cores diferentes, cada assunto tinha uma cor específica. Colamos na parede e depois com o mapa de Nova York impresso em um board com mais de 1 metro quadrado, fomos reposicionando os post its nos endereços de cada atração. Depois de todos os endereços localizados conseguimos dividir os “afazeres” por dia e já traçar o caminho a percorrer no mapa, mantendo sempre a categoria – lojas – para o fim de cada dia.

Mantivemos separados os post-its de lugares ou coisas que nem todos gostariam de fazer, para que cada micro-grupo ou até mesmo uma pessoa sozinha pudesse montar seu próprio roteiro na sexta e no sábado, dias classificados como “dia-livre”.

Após 3 horas de sessão, conseguimos chegar em todos os passeios que fossem relevantes para cada um de nós, e com isso evitar aquelas dores de cabeça que sempre temos quando viajamos em grupo. O workshop também foi bom para dividirmos todas as tarefas pré-viagem e principalmente para alinharmos as expectativas de conhecer uma nova cidade. Ao chegar na cidade 90% do nosso planejamento deu certo. Ao ver como ela realmente é, não pude deixar de sentir falta de uma prototipagem, mas como prototipar algo tão peculiar? Vou considerar essa minha primeira ida como experimentação, porque pude concluir que Nova York é uma cidade para ser descoberta a cada passeio, e que é preciso reservar mais tempo para essas experiências, mas o bom é que isso estimula o retorno.

Concluindo, acredito que esse tipo de abordagem poderia ser facilmente utilizada por uma agência de turismo junto ao seus clientes, alinhando a experiência e o know-how da operadora com a expectativa dos viajantes, dando a oportunidade para cada um dos turistas personalizar de forma colaborativa os seus roteiros. Temos sempre que lembrar que o foco de qualquer serviço é a relevância que ele traz no dia a dia das pessoas que o utilizam. Afinal todos são seres humanos em buscas de experiências e histórias para contar.

@fabioamado