Quem está servindo quem?

por gustavo bittencourt.:

Olá! O que você pensou quando viu o carro que está aí em cima? Provavelmente isso: “Ah se eu tivesse um carro desses!” (se não pensou imagine uma lancha, um sapato, ou o produto que tenha uma forte conexão afetiva com você). Temos a clara impressão que seriamos mais felizes se tivéssemos esses produtos, mas vamos descontruir um pouco essa premissa.

Para que esse carro serviria nas nossas vidas? Bom, primeiramente nos traria status social, poderíamos passear por aí com cara de pessoa bem sucedida, talvez seríamos até mais respeitados. Além disso, ele serviria de transporte. Agora o raciocínio oposto, o que teríamos que fazer por esse carro para que ele nos prestasse esses serviços? Além de comprá-lo, pagaríamos IPVA, emplacamento, licenciamento, seguro, teríamos que abastece-lo periodicamente, limpá-lo, trocar sua água, óleo, calibrar os pneus, pagar estacionamento, nos lamentar nos engarrafamentos… Uma jornada e tanto! Partindo desse raciocínio, quem serve quem?

Podemos expandir esse pensamento para tudo a nossa volta. Quando vamos fazer uma transferência de dinheiro, entramos no site do banco e somos perguntados se a operação que vamos fazer é um DOC ou um TED, quem disse que precisamos saber as diferenças técnicas das operações bancarias? Ao fazer isso estamos trabalhando para o banco, e sem receber por isso. É papel do banco entender, pelo valor que precisamos transferir, qual seria o tipo de operação.

Se pensarmos que estamos pagando pelos produtos e serviços que utilizamos (na live|work acreditamos que tudo é um serviço, até um carro, mas isso é tema para outro post :)), é fácil intuir que eles tem que ser úteis e nos obrigar a dar poucos insumos em troca.

O gráfico abaixo ilustra esse pensamento, o ideal é que tudo que possuímos ou utilizamos estivesse no quadrante “Não troco por nada”, ou seja, traz muito benefício e precisa de pouco esforço em troca. É um exercício interessante imaginar aonde as coisas do nosso dia a dia estão localizadas e no movimento que essas coisas tem com o passar do tempo. O exemplo do carro é emblemático, no começo seu uso era extremamente benéfico, já estamos em um segundo momento, onde o esforço para utilizar é alto, imaginar esse cenário evoluir como na linha pontilhada não é muito difícil!

É importante tanto para quem projeta as interações, quanto para quem as utiliza ter isso em mente. Afinal, a cada dia que passa temos menos tempo para nós mesmos e canibalizar esse pouco tempo é tudo o que não precisamos.

Um grande abraço!

@gus_bittenc

 

 

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