Os designers mudam o mundo.

por douglas cavendish:

Olá pessoas, como vão? Espero que bem.

Da última vez que nos falamos eu disse sobre a importância de nós designers criarmos e contarmos boas histórias, afim de que essas boas histórias estabeleçam melhor empatia com as pessoas tornando a relação de consumo mais emocional. Hoje quero conversar com vocês sobre a importância, ou sobre o propósito de nós designers no mundo.

Pense comigo…quando foi a última vez que você acordou feliz por saber que teria mais um dia de trabalho?

Você consegue pensar um pouco sobre seu propósito neste mundo?

Pois pare por um momento para julgar se o que você tem feito é de fato algo prazeroso e relevante para si mesmo e para o mundo.

Agora sim, let’s go thinkers!

Nós somos herdeiros de uma cultura proveniente da Era Industrial, onde as fábricas, as máquinas, a competição e a produtividade eram os senhores do progresso, ditavam a vida das pessoas, sim, isso mesmo, ditava a VIDA das pessoas, pois esse modelo não se limitava ao chão de uma fábrica, ele era replicado nas famílias, nas escolas, igrejas e em qualquer outro grupo social, porque quem participava dele eram as pessoas. Ainda hoje colhemos os frutos desta cultura basta vermos como as pessoas se relacionam uma com as outras, ou melhor ainda, como que as empresas se relacionam com seus funcionários.

Dias atrás saindo para almoçar próximo à Avenida Paulista, estava na calçada com um amigo e passou um aglomerado de pessoas saindo de um restaurante todas vestidas de terno preto, com gravatas pretas, num sol de rachar. Mais parecia um cortejo de enterro. Você pode achar isso normal, se tratando de uma cidade como São Paulo, mas conversando com este meu amigo chegamos à conclusão de que estas pessoas são tão escravas do seu trabalho, tão escravas deste modelo cultural, que não se permitem afrouxar o nó da gravata nem mesmo no horário de almoço, talvez essas pessoas pensem: “Devo me portar como um adulto, como uma pessoa responsável”, ou talvez seja apenas conformidade com o que está estabelecido.

O problema está exatamente em sermos adultos demais, rígidos demais, cruéis demais conosco. Por sermos herdeiros ricos dessa cultura opressiva, tendemos a olhar as coisas e a vida sempre como silos, sempre grupos fechados e intocáveis, sem questionar os processos nem as consequências desta cultura vigente, simplesmente ignoramos e seguimos a maré. Incrível pensar que remar na mesma direção que todos possa significar algo valoroso nos dias de hoje, sendo que provavelmente alguém no exterior pode fazer aquilo que fazemos mais barato, ou algum computador pode faze-lo mais rápido, ainda mais se tratando de um mercado voltado para a estética e para o produto, ou seja, só vamos sobreviver se passarmos a quebrar estes silos, se passarmos a criar não só beleza estética, mas também beleza emocional, narrativas envolventes, laços mais empáticos que satisfaçam os desejos imateriais das pessoas.

Nós designers precisamos mudar o mundo! E como se muda o mundo?
Se muda o mundo quando começamos a tornar aquilo que antes era indesejável em algo desejável. Se muda o mundo quando passamos a enchergar e entender o nosso propósito, nossa missão integral, o legado que deixaremos. A Era Industrial assim como a Era da Informação também mudaram o mundo mas deixaram um legado insustentável para a nossa geração, como o consumo desenfreado e a não valorização das pessoas, porém estamos às margens da Era Conceitual, um momento da história do mundo em que já não basta mais projetarmos com o pensamento focado no produto ou na estética das coisas, precisamos pensar e criar experiências que mudem a vida das pessoas, é assim que se muda o mundo!

O que você vai deixar para essa geração?
Não importa onde vamos chegar, mas sim a jornada que vamos trilhar, aquilo que vamos construir, e talvez pra se construir algo realmente relevante é necessário antes desconstruir e construir novamente de um novo jeito.

PS.: TODOS somos designers =)

Forte abraço a todos! #shalom

@doocavendish

Comments are closed.