Não só designers. Storytellers

por douglas cavendish.: 

Olá pessoas, como vão? Espero que bem.

Primeiramente desejo a todos um feliz ano novo, que 2012 seja uma ano de construção na vida de todos vocês.

Neste primeiro post gostaria de abordar uma tema muito “esquecido” por nós designers, o storytelling, ou seja, a impotância de contar boas histórias.

Let’s go thinkers!

Poderia apostar que a grande maioria que lê este post não conseguiria se lembrar de alguma noticia que ouviu ou leu ainda essa semana sobre bolsa de valores, ou mercado de ações. Porém se eu perguntar o que o personagem “Piu Piu” diz sempre que vê o gato “Frajola” grande parte de vocês vão me responder: “Eu acho que vi um gatinho”.

O interessante nesta comparação é perceber que nós seres humanos somos muito mais propensos a nos lembrar de uma história envolvente, do que dados estatísticos, matemáticos e lógicos.

Nosso cérebro capta e retém informações muito mais fácil e rapidamente quando estas nos são contadas em forma de histórias. É a melhor maneira que nossa mente encontrou pra trabalhar. Ela organiza tudo o que vivemos e experienciamos sob a forma de histórias, por isso fica mais fácil acessar essas informações quando precisamos delas.

Infelizmente é comum não darmos muita importância e nem mesmo o devido crédito às histórias, temos a tendência de considerarmos histórias as “versões menos confiáveis” dos fatos. O problema disso é que nos dias de hoje fatos estão a um “google” de nós, em questão de segundos podemos ser “experts” em diversos assuntos. O que vai nos diferenciar então, se saber das coisas já não é mais problema?

Com toda certeza o que pode se tornar diferencial em um bom projeto de design é a capacidade de contar uma história emocionalmente envolvente, mais rica em significados e sentimentos.

Um bom exemplo disso é o que acontece no filme Inception (“A Origem” – Atenção para Spoilers) onde o personagem Saito (Ken Watanabe) contrata os serviços de Cobb (Leonardo Di Caprio) para plantar uma ideia complexa na mente de Fisher (Cillian Murphy). Saito queria que Fisher desistisse de tocar os negócios do pai após sua morte. Cobb decide que não vai torturar Fisher com horas de powerpoints, ou enfadonhos dados estatísticos e nem mesmo com análises sobre o mercado, ao contrário, decide contar a ele uma história envolvente, algo sutil mas que fosse rico em significado e emoção. Cobb e sua equipe sugerem dentro da mente de Fisher que ele seja ele mesmo, pois o último desejo de seu falecido pai era de que ele trilhasse seu próprio caminho, absolvendo-o do fardo de ter que carregar o peso da empresa do pai nas costas. Para reforçar o apelo emocional Cobb usa uma evidência física, um cata ventos pra ser mais preciso, isso faz Fisher se lembrar de sua infância e de como era bom ser ele mesmo, fazendo sempre o que ele gostava de fazer, e não o que mandavam ele fazer. Isso obviamente acelerou o processo cognitivo da ideia plantada na mente de Fisher e ele “entendeu o recado”.

O que você consegue perceber de interessante nesta história que eu contei?

O mais interessante ao meu ver foi a maneira como usaram da metáfora para contar uma história envolvente, principalmente pelo uso da evidência, o cata ventos que ajudou Fisher a entender uma ideia complexa pelo prisma de uma ideia simples. Genial!

Não basta mais criar apenas boa estética ou boa funcionalidade para as coisas, produtos e serviços, eles precisam atingir o emocional das pessoas através de boas histórias muito bem contadas. E como fazemos pra contar uma boa história?

O filme Inception nos dá uma boa dica, uma narrativa envolvente aliada a evidências metaforicamente ricas com toda certeza auxiliam a “fisgar” o emocional das pessoas. As pessoas procuram sentido pras coisas, pra vida, é isso que elas vão procurar também na gôndola do supermercado, nas prateleiras das lojas, nas livrarias, enfim, devemos ser não só designers, mas também stoytellers.

Dicas para treinar seu storytelling:

Não há nenhum feitiço mágico que irá te transformar num Joseph Campbell ou em um Eduardo Spohr da noite pro dia, o segredo é praticar.

Pegue fotos de noticias na internet e tente construir um cenário pra ela, pense nas pessoas que estão nas fotos, suas histórias de vida, o que fez elas estarem ali, como elas foram parar ali, o que elas vão fazer depois desta cena, etc. Assim você vai exercitar a construção de histórias baseada na vida das pessoas.

Mantenha um blog de histórias, crie mini contos, desenvolva uma história em quadrinhos, tirinhas, etc.

Consuma literatura sem preconceitos, leia revistas de negócios, aprenda sobre filosofia ou sociologia, estude o funcionamento da mente humana, acabe com um livro do Harry Potter em menos de um dia. Retirar o seu preconceito literário vai lhe ajudar a expandir seu repertório e evoluir sua gramática narrativa.

Jogue RPG, Dungeons & Dragons, Vampiro, Magic.

Leia “O herói de mil faces” de Joseph Campbell. Leia “A batalha do apocalipse” de Eduardo Spohr. Leia “Made to Stick” de Chip & Dan Heath.

Bom espero que este post abra uma boa discussão sobre o assunto, e peço que fiquem a vontade pra enviar sugestões de exercícios de storytelling.

Forte abraço. #Shalom

@doocavendish

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