Menos pior não é bom o suficiente

por Gustavo Bittencourt:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olá! Sustentabilidade está em voga atualmente, só morando em outro planeta para não ter ouvido falar nada a respeito. Empresas, revistas e pessoas falam muitas coisas sobre esse, que é merecidamente um tema de grande repercussão.

Continuamos destruindo recursos naturais, grande parte das empresas tentam parecer sustentáveis, mas na verdade são estruturadas como se fossem fábricas do século passado, produzem coisas usando muitos recursos e sem se preocupar com o lixo que vão gerar. Um documentário essencial, ‘The Corporation’ constrói toda a sua a narrativa comparando o comportamento das grandes empresas com o de um psicopata. Ficou surpreso, exagero? Olhe alguns sintomas e veja se não consegue imaginar nenhuma:

  • Frieza e ausência de sentimentos;
  • Muito mais razão que emoção;
  • Irritabilidade e intolerância às frustrações;
  • Mentiras e comportamento fantasioso;
  • Vazio existencial e tendência ao tédio;
  • Manipulação e chantagem;
  • Egoísmo e egocentrismo.

Mas é claro que nem todas as empresas se comportam assim. Muitas já começaram a se preocupar com o impacto que causam e principalmente com a crescente preocupação dos consumidores em comprar produtos ‘verdes’. Aí é que nasce o pensamento de poluir menos. Como conseguir reduzir o lixo gerado, o CO2 emitido e por aí vai. Esse pensamento está errado.

Passamos muitos anos com o pé no acelerador, e se esforçar para reduzir a velocidade continuará nos levando para o caminho errado. Essa preocupação é importante, mas devemos repensar o modelo de uma forma mais profunda.

Calma, eu não acho que não tem volta, nem que devemos mudar radicalmente nossa forma de viver. Mas vamos parar para pensar um pouco sobre isso, temos que reduzir o lixo que produzimos? Mas o que é lixo? Lixo é um conceito criado por nós, é uma distorção do que acontece na natureza. A folha caída da árvore alimenta um novo ciclo, assim como os restos de um animal ou qualquer outra coisa.

No livro ‘Cradle-to-Cradle’, os autores defendem que esse sim é o conceito de sustentabilidade que devemos buscar. E esse pensamento afeta tanto as empresas quanto os consumidores. Devemos ter essa preocupação ao comprar algo, se essa coisa é realmente necessária, nas possibilidades de dividir esse bem com algum amigo ou com outra pessoa e no que fazer quando não tiver mais utilidade.

Já as empresas devem pensar no ciclo que as coisas têm, enxergar as oportunidades escondidas e servitizar as suas ofertas. Imagine uma cadeira, ao invés de sumir do mapa após a venda, as empresas poderiam disponibilizar um canal para que entrássemos em contato quando a cadeira não fosse mais útil. Poderia assim, dependendo da condição, revender, reciclar, enfim esse é só um exemplo.

Pensando dessa forma podemos chegar a caminhos que não seriam alcançados só tentando reduzir a destruição, o lixo é uma invenção.

Um grande abraço!

@Gus_Bittencourt

1 comment
  1. Olá Gustavo,

    Gostei do post. Discordo de um ponto, o “Calma, eu não acho que não tem volta”.
    Eu acho que não temos volta em muitas coisas e a questão de sustentabilidade é uma delas. E isso é bom porque nos obriga a pensar em soluções para os problemas de agora e viver de acordo com isso.
    Nosso pé estará pisando fundo por muito tempo ainda e assumirmos uma postura ativista, promovendo passeatas com coros tipo “não desmatem”ou “não coma carne”é algo muito simplista para problemas tão profundos, como você diz. A ação é nobre, mas não creio que é uma postura de alguém que se sente parte do problema e, principalmente, da solução.
    Realmente precisamos pensar em novos usos para as mesmas coisas e com isso resolver velhos problemas.
    Mais uma vez, seu post é show!