Design com Emoção

por Clarissa Lütke:

 

Oii!

Com certeza, se você abrir seu armário ou apenas olhar à sua volta, irá ver alguns produtos que ama. Você já parou para pensar por que você os ama? É pela cor? Pela forma? Porque foi um presente? Por sua utilidade? Por você tê-lo há anos? Ele torna sua vida mais fácil, ou apenas deixa sua casa mais bonita? Ou ele torna sua vida mais fácil por deixar sua casa mais bonita?

Existem muitos tipos de emoções e motivos pelos quais nos apegamos às nossas “coisas”. E isso não é por acaso. Hoje em dia, baseados em métodos de pesquisas, estratégias, análises de comportamento e cotidiano das pessoas, os produtos são produzidos de forma que “falem” com seus consumidores, que os cativem.

Já sabemos que o foco de um designer, ao projetar, é o ser humano. O designer tem o papel de conhecer muito bem seu consumidor. Bem ao ponto que possa humanizar produtos e serviços. Aumentando não somente a praticidade na vida das pessoas, mas tornando aquela pessoa mais feliz, atribuindo valor emocional ao que ela consome. Disponibilizando, além do que se procura na prateleira, a oportunidade de consumir algo que torne seu dia mais lúdico, sua vida mais positiva, que traduza sua personalidade, sem descartar a utilidade.

Donald Norman, autor do livro Design Emocional, analisa um produto em três partes: o lado visceral, que está ligado o primeiro impacto que você tem ao ver um produto. O lado comportamental, mais profundo em relação ao anterior, englobando o prazer e a afetividade no uso. E o lado reflexivo, intelectual, como por exemplo o status que ele representa. Segundo Norman, esses são os três níveis que devem ser alcançados para satisfazer plenamente as expectativas de um consumidor. Um bom exemplo para isso (um tanto clichê, mas ok), é o Iphone: bonito e elegante, várias funções que fazem com que o usuário se apegue facilmente aos serviços oferecidos e, pelo menos aqui no Brasil, sinônimo de status.

Todos nós queremos expressar o que somos, e a maioria quer ser diferente, único. Inúmeras vezes expressamos isso através do que consumimos, e isso torna a demanda pelo “algo a mais” latente.  Às vezes consumimos por necessidade, às vezes nossos desejos subconscientes comandam, por status ou para nos confortarmos.

Já que vivemos em um mundo material, onde a maioria consome mais do que precisa, então que compremos coisas que amamos, não acham? Não estou defendendo a ideia de sairmos por aí consumindo deliberadamente e descartando o que temos em casa para comprar coisas que tragam nossa emoção à tona. Acho essencial humanizar o que consumimos, mas também temos que tomar um pouco de cuidado para sabermos separar o joio do trigo, conseguir balancear o custo x emoção x benefício dos produtos que nos são oferecidos, comprar de forma “consciente e amorosa” e não apenas imposta, por pura sedução.

Da próxima vez que você for consumir, preste atenção no que você sente, é interessante.

Até mais!

@clarissalutke

 

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