De CET para CDT

por fabio amado:

Ah o verão! Muito Sol quente na cabeça, muito suor na roupa, não podemos esquecer nossos óculos escuros; Passamos mal o dia inteiro, não saímos do ar condicionado nem para almoçar; Ficamos sem vontade de encarar o concreto quente dessa cidade, e precisamos nos programar com antecedência. O por quê? Tempestades tem hora marcada nas nossas tardes paulistanas!

(pausa dramática) 😐

Tempestades de verão! O maior evento natural que tem capacidade de paralisar a maior cidade do país.

Quando as nuvens começam a esconder o sol e deixar o tempo parecido com um cenário de fim do mundo daqueles filmes de Hollywood, prepare-se não só para enfrentar a maior chuva da sua vida, mas também para ficar horas, horas e mais horas parado no trânsito! Porque essa chuva de verão faz questão de cair na mesma hora em que você está voltando para casa.

Na semana passada caiu um temporal desses e por sorte (estou sendo sarcástico), eu estava dentro de um táxi voltando de um compromisso. Naquele dia vi algo que me chamou bastante a atenção e virou inspiração para escrever esse post. Vi um “marronzinho”, (funcionário da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, empresa responsável por cuidar de todo o trânsito de São Paulo) multando alguns carros que estavam circulando no horário não permitido do rodízio (aqui em São Paulo os carros fazem parte de um sistema com horários estipulados para a circulação de acordo com número final da placa, afim de aliviar um pouco o trânsito).

Ok! Isso eu acho que deve ser feito mesmo, ele tem que multar aqueles que procuram sempre dar um jeitinho de circular no período errado. Porém na mesma esquina onde o “marronzinho” estava, tinha um semáforo queimado e consequentemente um trânsito digno de Mumbai. Foi aí que comecei a refletir um pouco sobre os processos e prioridades que a empresa de tráfego tem e aplica no seu dia a dia.

Na verdade, esses processos e prioridades de uma grande Companhia Pública nacional, refletem o comportamento e a cultura de grande parte dos brasileiros. O que enfatiza cada vez mais o quanto o Design de Serviços é imprescindível para o crescimento e evolução desse país.

Com a co-criação, a prototipagem e a pesquisa centrada no ser humano (no nosso caso, as pessoas que precisam circular em São Paulo) é a base da resolução (com inovação) desse tipo de problema frequente na rotina brasileira. Considerando que os serviços são redes complexas de interações, assim como o fluxo de São Paulo; aplicar uma “ideation” para solucionar o trânsito não seria nada mal.

Criar uma situação equilibrada entre a empresa e os motoristas, coisa que não existe, já que a pequena fortuna recolhida em multas e impostos não são é bem aplicada, considerando os buracos, faróis queimados, má sinalização e falta de organização em situações de emergência (exemplo dado acima) é primordial. Isso é conhecido por Service Equity, e vindo de uma empresa pública, nós não deveríamos explicar para eles o que é o balanço entre uma companhia e seus “beneficiados”.

Inquestionavelmente é preciso melhorar as experiências das pessoas no trânsito e otimizar nosso tempo e nossa vida! Óbvio que não depende só da CET, mas também da interação com outras organizações públicas que envolvem melhorias no transporte público, manutenção de árvores (aposto que o farol estava queimado por que uma delas caiu na fiação), otimização do setor elétrico, segurança pública. Em sumo, é preciso alimentar todo o sistema (e nossa cultura) com boas ideias, inovação e foco no ser humano, precisamos mais Design de Serviços para melhorar a rotina e os dias de verão! Por isso acho válido trocar engenharia por design.

De CET para CDT (Companhia de Design de Tráfego)!

@fabioamado

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