Consumo Colaborativo

por fabio amado.:

Já parou para pensar na quantidade de coisas inúteis que você tem na sua casa? Itens que facilmente abriria mão, que por conta de um impulso acabou comprando ou consumindo? Não seria ótimo fazer com que toda essa tralha se transformasse em algo útil?

Temos o péssimo hábito de não pensar duas vezes antes de comprar algo, considerar se realmente o produto ou o serviço que queremos é necessário. Esse consumo exagerado está chegando ao limite e dá espaço para o crescimento do consumo colaborativo, uma das possíveis soluções, onde as tais tralhas que você guarda na sua garagem podem ganhar utilidade na mão de outras pessoas.

Recentemente, para tristeza da minha namorada, comprei um Playstation 3 e em um puro ato impulsivo, comprei 4 jogos da mesma série “Assassins Creed”. Isso me custou muito dinheiro e arrependimento, porque os jogos não eram bem o que eu esperava.

Ao “retomar” a consciência, eu tinha em mãos 4 jogos que não faziam sentido algum para minha diversão. Isso era um problema, pois não fazia ideia onde e como eu poderia me livrar desses games de um jeito sustentável para o planeta e para o meu bolso.

Até que eu me lamentei com um amigo que me falou sobre uma loja virtual com o serviço de troca de jogos. Eu por ser um novato no mundo dos games, não fazia ideia que existia alguém que fizesse esse tipo de acerto. Como o serviço me parecia bem estruturado, eu acabei solicitando uma troca dos meus jogos usados “chatos”, por novos “legais”.

A transação foi um sucesso! No dia seguinte o peso da minha consciência sumiu ao receber no conforto da minha casa os novos joguinhos, sem problema nenhum. Essa troca fez com que eu gastasse apenas R$20,00 (valor da entrega) e me garantiu uma boa diversão com 4 jogos novos. O mais legal disso tudo é imaginar que alguém irá tirar o mesmo proveito dos jogos que eu barganhei.

Esse exemplo de consumo colaborativo não é só mais uma tendência para o futuro, isso já é uma realidade e uma necessidade que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado. Esse serviço tem rolado com games, carros, bicicletas, roupas, viagens, livros, utensílios domésticos, imóveis, reciclagem, música e muitas outras áreas. A lista é longa.

Trocar, alugar, compartilhar, emprestar, experimentar assumem a posição do verbo comprar quando o assunto é esse. Isso decorre da atual situação das redes sociais, (deixamos um rastro na internet e nos mostramos confiáveis, ou não) do ecossistema do planeta (que não comporta mais o consumo desenfreado) e das mais recentes crises globais. Estamos interessados no acesso, o sentido da posse vem cada vez mais perdendo força com a efemeridade de nossas constantes mudanças e com nossa falta de espaço.

Para quem quer saber mais, existem dois livros essenciais sobre consumo colaborativo:
O primeiro,  “O que é meu é seu”, de Rachel Botsman e Roo Rogers, dá uma boa introdução dos grandes problemas que o consumo desorganizado gera e mostra uma ótima cobertura sobre novas soluções espelhadas na colaboratividade.
O segundo é o “The Mesh”,  de Lisa Gansky, que cita muitos exemplos de empresas e serviços que estão cada vez mais focados na troca de interesses.

Seja para posicionamento de marca, utilidade pessoal, barganhas, desvio de tédio, o consumo colaborativo tá aí como uma ótima solução e devemos aproveitá-lo.

@fabioamado

3 comments
  1. Marcelo said:

    Aeh Fabio Amado, belo texto! Desde que tive o primeiro contato com esse tipo de serviço há uns 5 anos atrás, vem na minha mente que estamos voltando a era do escambo, mas dessa vez com o apelo ecológico e com a facilidade da internet. No exemplo que deu do video game, lembro muito bem que já trocava jogos com os amigos, mas se restringia aos amigos da escola, do bairro e parentes, lembro também de meu pai que viva pegando ferramentas emprestada, mas em vez de pagar um aluguel, oferecia o famoso cafezinho pelo favor. Com a internet a área de atuação se tornou global e o cafezinho se tornou o alguel em si.

    Abraços

  2. Paulo Lattari said:

    Fabião, tá bem legal o texto e a idéia bem interessante. Embora eu ache que os brasileiros ainda não tenham, ou ainda não seja muito expressiva, a cultura do consumo de produtos “usados” tem um potencial enorme aqui no Brasil.
    Existe uma empresa chamada “Cash Converters” criada na Austrália que vende diversos produtos usados e possui muitas lojas espalhadas por lá. Na verdade, hoje ela é bem grande, agregou novos serviços, como crédito, e está em vários países pelo mundo. Vai o link da matriz: http://www.cashconverters.com.au/ e da filial de portugal: http://www.cashconverters.pt/

    Não conheço algo do tipo no Brasil, além de galpões com móveis, sebos (somente com livros), geladeiras e maquina de lavar e, é claro, os sites de internet.

    abs,

  3. Andrea Toledo said:

    Muito bom o texto Fabio, parabéns. Acredito que precisamos cada dia mais de algo que poderiamos chamar de interesse dedicado.
    O ser humano, na maioria das vezes, só se movimento por interesse próprio, então por que não orienta-lo e fazer com que seus interesses sejam dedicados ao que realmente nos importa. Nossos futuro MELHOR. EU ACREDITO!
    abraços