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por Marcos Paulo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como tornar o mundo melhor?

Essa é a pergunta de ouro não é mesmo? Vou deixar essa pergunta no ar para contar uma experiência recente que tive.

Caso já tenha lido o DTBR Book, provavelmente notou que no final do livro existe uma lista de cursos interessantes. Um deles é o Design Thinking da ESPM, ministrado pelo Luis Alt e o Tenny Pinheiro e do qual eu participo ajudando os alunos em seus projetos.

No primeiro dia de aula são feitas as apresentações e é comum perguntarmos quais são as expectativas dos alunos. Ouvimos coisas como ter novas perspectivas, ajudar no trabalho atual e por ai vai. São objetivos que sempre procuramos atingir, mas o que realmente é sensacional (e que provavelmente alguns não estejam esperando) são as transformações pessoais que ocorrem durante o curso. E na última turma isso ocorreu de maneira muito expressiva.

Além de aprender sobre o Design Thinking, cada grupo de alunos recebeu a missão de projetar um serviço para um problema complexo. E cada etapa do processo foi visível em alguns deles sensações como brilhos nos olhos ao mergulharem e entenderem o problema, as dúvidas sobre o que fazer nos próximos passos, a inquietude para gerar ideias etc.

Mas o grande desafio foi na hora de gerar ideias. Cada grupo tinha um apanhado de ótimas ideias, mas por algum motivo ainda não estavam plenamente satisfeitos ou  com certeza se estavam no caminho certo.

Foi nesse momento que a grande transformação aconteceu. Entenderam que o que torna uma ideia realmente relevante é quando ela toca de forma significativa a vida das pessoas.

Ao final do curso fomos privilegiados por assistir as apresentações de 8 projetos fantásticos que combatiam problemas complexos de forma crível e sustentável para o negócio.

Se com pouco tempo, dividindo as atenções com questões pessoais e profissionais, essas pessoas conseguiram desenvolver ótimos trabalho, imaginem trabalhando totalmente dedicados?

E aquela primeira pergunta?

Como tornar o mundo melhor?

Ajudando pessoas a ajudar pessoas.

@marcoz_paulo

por Fabio Amado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda da série “Família em Nova York”, gostaria de compartilhar com vocês mais algumas experiências relevantes dessa viagem. Além de observar a arquitetura local, experimentar comidas diferentes, ver como as pessoas se comportam, comparar situações com o nosso país de origem, eu inevitavelmente reparo em todas as experiências oferecidas, nas inovadoras, e consequentemente, nas eficazes.

Meu olhar clínico se dirige para aquilo que é minha vivência. Sou Service Designer e Designer Gráfico de formação, e duas coisas que sempre me chamam atenção em uma viajem são as identidades visuais (fachadas, logos, materiais impressos, etc.) e os serviços prestados em diferentes estabelecimentos (lojas, restaurantes, hotéis, passeios turísticos, etc.).

Uma das coisas mais legais dessa minha última viagem, (lembrando que o destino era Nova York), foram as mais variadas interações com os serviços de lá. Neste post eu trouxe duas ótimas experiências de compra que exemplificam bem o título dado.

Muitas pessoas sempre falam que comprar qualquer coisa na Apple é interessante, e comigo não foi diferente. Lá eu fiz dois tipos de compra, o primeiro foi uma forma mais “normal”, onde eu escolhi sozinho o produto e me dirigi ao caixa para efetuar o pagamento.

A segunda experiência foi mais fantástica e excelente. Sabem como é, quem já foi para os Estados Unidos sabe como funciona os mil amigos que aparecem pedindo alguma encomenda. Quem ainda não foi, se prepare para a listinha e os e-mails de última hora.

Precisava levar um iPad para um conhecido, fui consultar os produtos no setor destinado a eles. Como todos devem conhecer um PDV de iPads, lá estava eu de frente para uma mesa cheinha de opções e, me divertindo demais. Ao mexer em um dos iPads, já escolhi o modelo que queria pela loja virtual que fica disponível no tablet, e no cantinho da minha tela vi que tinha um botão que solicitava a ajuda de um vendedor, apertei o botão para chama-lo, e apareceu um cronômetro decrescendo. Lá tinha 1 minuto e meio. Ao zerar o tempo, o bendito vendedor apareceu. No momento, me deu a impressão de que ele estava escondido a minha espreita, só esperando dar o tempo exato para me surpreender.

O vendedor era extremamente empático, com um perfil bem remetente à Apple. Jovem, simpático e extremamente solícito. Expliquei pra ele o que eu queria, tirei mais algumas dúvidas, e solicitei o produto. Um novo cronômetro foi ativado enquanto o vendedor foi buscar o produto no estoque. Quando o cronômetro zerou, nem preciso dizer que ele estava lá. Conferi o produto, e ele perguntou a forma de pagamento. Como era encomenda, óbvio que foi no cartão de crédito. Na hora ele sacou um iPhone, com uma tecnologia própria, adaptando o telefone com algum leitor de cartões. Passou meu cartão, eu assinei com o dedo no iPhone mesmo, e ele ainda me perguntou se eu queria a notinha por e-mail ou impressa.

Por pura curiosidade, quis as 2 opções; só pra saber da onde é que ele iria tirar a impressão. E surpreendentemente, ele colocou a mão embaixo da mesa, e de lá tirou a nota. Muitas impressoras estão maquiadas pela loja inteira. Fiquei maravilhado.

Ultimamente a Apple tem sido referência clichê, eu não queria falar sobre eles, porque todo mundo fala por qualquer coisa. Mas é inevitável. Eles buscam a perfeição em tudo o que eles fazem. Desde o design, a tecnologia, no iTunes, na App Store, enfim… até abrir a embalagem de um produto Apple é um evento. Eles são excelência praticamente em tudo o que oferecem. E esse tipo de experiência que a Apple proporciona faz com que as pessoas, como eu, se interessem e sejam fiéis a marca.

Um outro exemplo que pude conferir é a loja B&H, a Disneylândia dos equipamentos eletrônicos e fotográficos. Quem já foi lá sabe que a loja é gigantesca e tem um processo super interessante quando você escolhe um produto.

Fui lá atrás de mais uma encomenda J, me dirigi até o balcão especializado em fotografia e pedi pela câmera que estava procurando. O vendedor perguntou todos os itens que eu gostaria de adicionar a compra e solicitou o produto. “Senhor a câmera chegará em 2 minutos”, daí ele apontou para debaixo do balcão. Eu olhei e vi uma esteira, aliás no teto da loja inteira tinham esteiras transportando algumas caixas, e dentro de cada caixa os produtos que algumas pessoas haviam solicitado ou até mesmo comprado.

Passado os dois minutos exatos, meu produto chegou na esteira em baixo do balcão, ele me pediu para conferir e após o meu ok a compra foi finalizada. Ele imprimiu um código de barras e pediu para eu pagar e retirar o produto no caixa. Caso eu tivesse interesse em comprar mais alguma coisa, era só utilizar o código de barras para inserir mais produtos.

Após pagar o produto e retira-lo, saí da loja surpreso com a vivência que tive lá dentro.

Sendo Service Designer, é muito bom se colocar na situação de usuário. Melhor ainda quando desfrutamos algo legal fora da realidade brasileira. O repertório adquirido sempre é válido para muitas situações; na minha mente, já tenho cenários paralelos de boas experiências de compra, por ser cliente e obviamente por estar do outro lado, também tenho uma avaliação detalhada do impacto que o serviço oferecido por essas 2 lojas causa nos consumidores; Além de passear e curtir momentos fora da rotina, as férias me oferecem ótimos insumos e referências excelentes para os próximos projetos.

@fabioamado

por Marcos Paulo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há alguns dias fui vítima de uma dessas “tempestades de verão” em São Paulo.

Depois de um agradável almoço com minha namorada e um casal de amigos, partimos com o carro para uma loja em Pinheiros afim de matar o tempo, pois chovia muito e meu amigo estava de moto (sim, é o mesmo amigo do meu primeiro post). Quando estávamos na Cardeal Arcoverde o trânsito parou repentinamente, minha namorada freou, no entanto o carro deslizou e bateu em outro que estava logo a frente.

A batida não foi forte e felizmente ninguém se machucou (salvo o bolso da Danielle). Nessa altura do campeonato a única coisa que vinha em minha mente era: Vamos ter que fazer um Boletim de Ocorrência (o famigerado B.O.).

Não sabíamos onde havia uma delegacia ali por perto, acabamos indo parar em uma na Alameda Glete. Lá descobrimos que a polícia civil não faz esse tipo de B.O. (fica a dica). Sem muito entusiasmo nos orientaram ir  a uma base comunitária situada próxima a Santa Casa.

Lá havia um solícito rapaz do Programa Jovem Cidadão que nos auxiliou estacionar o carro e fomos recebido imediatamente por um policial que nos convidou para entrar e ofereceu um cafezinho (isso mesmo, um cafezinho). E ai começou a burocracia.

Como sempre foi um processo longo e cansativo, porém não desagradável, muito pelo contrário, o ambiente tinha um ar leve e os policiais eram todos muito amigáveis. Fiquei o tempo inteiro observando e notei a boa relação que construíram com a população local.  No período que fiquei na base, os policiais atenderam diversas chamadas, desde situações simples como uma mulher do interior desesperada por estar perdida em São Paulo, até mais complexas como suicídio. Em todas as situações os oficiais atenderam as pessoas de forma mais humana do que eu estava acostumado a testemunhar.

Enquanto a Danielle continuava com a burocracia eu iniciei um bate-papo com um dos soldados afim de descobrir de onde veio essa transformação. Descobri que essa mudança vem acontecendo há alguns anos, principalmente nas bases comunitárias. A PM (Polícia Militar) de São Paulo vem realizando um intercâmbio com a polícia do Japão que possui mais de 130 anos de experiência com policiamento comunitário.

A ideia é humanizar o atendimento junto a comunidade. Criar vínculo mais empático com as pessoas, afim de melhorar os serviços prestados e o relacionamento com a população local. Estão entendendo que os serviços prestado pela polícia deve ser de pessoas para pessoas e não de policiais para bandidos.

No meu ponto de vista, essa pequena mudança na qualidade do serviço prestado pela PM já começa a gerar mudanças na vida da comunidade local, porém a mudança talvez seja maior no dia a dia dos próprios policiais. Era nítido em seus rostos e atitudes que o trabalho tem melhorado.

Quando desenvolvemos qualquer tipo de serviço sempre temos que ter em mente pessoas no centro do projeto certo? Mas parece que a Polícia tinha se esquecido disso. Ao iniciarem esse movimento de humanizar o policiamento comunitário, o serviço como um todo já melhorou substancialmente. Além disso faz com que nós enxerguemos esses policiais também de forma mais humana.

Todo mundo ganha.

É isso aí. Seja mais humano.

Bom Feriado.

@marcoz_paulo

por Fabio Amado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quantas vezes você já se deparou com uma enorme quantidade de informações após uma jornada inteira de pesquisa?

Sair a campo, observar, conhecer as pessoas, fotografar, enfim… é primordial utilizar todas as ferramentas disponíveis de uma pesquisa etnográfica para gerar a maior quantidade de insumos para o seu projeto.

Mas após tudo isso, o que fazer com esse material? Como processá-lo de forma objetiva sem deixar passar dados relevantes? Qual a melhor opção para organizar e dar sentido à essas informações que, com certeza nortearão o destino do seu projeto?

Existem vários tipos de ferramentas de pesquisas e cada uma delas gera o seu tipo de visualização. Nesse post, eu faço um breve passo a passo baseado em uma Entrevista de Profundidade (mas com certeza as dicas podem ser adaptadas para outras ferramentas, usadas separadamente ou em conjunto). Esse processo te ajudará a criar um ambiente mais convidativo para entender os resultados e dar início ao processo criativo.

1-    Antes de mais nada, entenda a sua ferramenta e organize a sua aplicação

No meu caso, a “Entrevista de Profundidade”. Bom, consiste no aprofundamento da equipe de projeto a campo para conhecer melhor a vida dos usuários e promover conversas (não questionamentos), convidando os participantes a contarem suas histórias dentro de um ambiente informal. O interessante nesse momento é sempre manter o entrevistado em uma zona de conforto, só assim conseguiremos bons insights.

2-    Top 10 Insights

Após o término de cada entrevista é extremamente importante anotar as 10 observações que mais chamaram sua atenção. Tente extrair esses 10 insights da sua memória, sem revisitar as anotações e gravações da entrevista. Isso tudo faz com que as coisas mais relevantes no seu ponto de vista entrem no projeto.

3-    Coloque tudo na parede

Arrume uma parede grande em seu escritório, e comece a colocar nela todo o material, de forma organizada (por entrevista). Separe os highlights, como fotos, citações importantes do entrevistado, seu ponto de vista e principalmente o “top 10 insights”. Separe essas informações por afinidade e ao dar um passo para trás você irá perceber que tem uma organização visual de todo o material. Porém a visualização rápida dessa informação ainda está comprometida.

4-    Infográfico é o caminho

Agora é a hora de utilizar todas as suas habilidades de Designer para dar um apelo visual para o material previamente organizado da entrevista. É a hora de transformar toda a pesquisa em um grande infográfico. Os insights já estão separados por afinidade, mas agora, na tela do computador, as cores começam a ter significados, o sentido do projeto é direcionado pela relevância dos pontos de vista e as citações mais importantes precisam validar suas futuras criações. É de grande importância pensar na função desse infográfico e não apenas no valor estético.

5-    O nascimento do Userboard

Imprima cada entrevista compilada em um formato 90×90 (é o tamanho que adotamos aqui na live|work) e os coloque na parede. Deixe todos os boards em um local onde você consiga enxerga-los de uma vez, isso possibilita a comparação entre as entrevistas.

Pronto, você acabou de fazer um Userboard. Tudo o que for importante estará aí, e de maneira organizada. Baseie-se e norteie-se pelos Boards para qualquer direcionamento do projeto. Mantenha-os sempre a vista. Eles já te serviram como um filtro e agora serão a bússola para o sucesso do seu projeto.

@fabioamado

 

por fabio amado:

Ah o verão! Muito Sol quente na cabeça, muito suor na roupa, não podemos esquecer nossos óculos escuros; Passamos mal o dia inteiro, não saímos do ar condicionado nem para almoçar; Ficamos sem vontade de encarar o concreto quente dessa cidade, e precisamos nos programar com antecedência. O por quê? Tempestades tem hora marcada nas nossas tardes paulistanas!

(pausa dramática) 😐

Tempestades de verão! O maior evento natural que tem capacidade de paralisar a maior cidade do país.

Quando as nuvens começam a esconder o sol e deixar o tempo parecido com um cenário de fim do mundo daqueles filmes de Hollywood, prepare-se não só para enfrentar a maior chuva da sua vida, mas também para ficar horas, horas e mais horas parado no trânsito! Porque essa chuva de verão faz questão de cair na mesma hora em que você está voltando para casa.

Na semana passada caiu um temporal desses e por sorte (estou sendo sarcástico), eu estava dentro de um táxi voltando de um compromisso. Naquele dia vi algo que me chamou bastante a atenção e virou inspiração para escrever esse post. Vi um “marronzinho”, (funcionário da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, empresa responsável por cuidar de todo o trânsito de São Paulo) multando alguns carros que estavam circulando no horário não permitido do rodízio (aqui em São Paulo os carros fazem parte de um sistema com horários estipulados para a circulação de acordo com número final da placa, afim de aliviar um pouco o trânsito).

Ok! Isso eu acho que deve ser feito mesmo, ele tem que multar aqueles que procuram sempre dar um jeitinho de circular no período errado. Porém na mesma esquina onde o “marronzinho” estava, tinha um semáforo queimado e consequentemente um trânsito digno de Mumbai. Foi aí que comecei a refletir um pouco sobre os processos e prioridades que a empresa de tráfego tem e aplica no seu dia a dia.

Na verdade, esses processos e prioridades de uma grande Companhia Pública nacional, refletem o comportamento e a cultura de grande parte dos brasileiros. O que enfatiza cada vez mais o quanto o Design de Serviços é imprescindível para o crescimento e evolução desse país.

Com a co-criação, a prototipagem e a pesquisa centrada no ser humano (no nosso caso, as pessoas que precisam circular em São Paulo) é a base da resolução (com inovação) desse tipo de problema frequente na rotina brasileira. Considerando que os serviços são redes complexas de interações, assim como o fluxo de São Paulo; aplicar uma “ideation” para solucionar o trânsito não seria nada mal.

Criar uma situação equilibrada entre a empresa e os motoristas, coisa que não existe, já que a pequena fortuna recolhida em multas e impostos não são é bem aplicada, considerando os buracos, faróis queimados, má sinalização e falta de organização em situações de emergência (exemplo dado acima) é primordial. Isso é conhecido por Service Equity, e vindo de uma empresa pública, nós não deveríamos explicar para eles o que é o balanço entre uma companhia e seus “beneficiados”.

Inquestionavelmente é preciso melhorar as experiências das pessoas no trânsito e otimizar nosso tempo e nossa vida! Óbvio que não depende só da CET, mas também da interação com outras organizações públicas que envolvem melhorias no transporte público, manutenção de árvores (aposto que o farol estava queimado por que uma delas caiu na fiação), otimização do setor elétrico, segurança pública. Em sumo, é preciso alimentar todo o sistema (e nossa cultura) com boas ideias, inovação e foco no ser humano, precisamos mais Design de Serviços para melhorar a rotina e os dias de verão! Por isso acho válido trocar engenharia por design.

De CET para CDT (Companhia de Design de Tráfego)!

@fabioamado

por marcos paulo.:

 

Oi pra você.

Vou seguir o conselho do nosso amigo Doug e começar este post com uma breve história.

Um amigo tinha uma moto esportiva linda, veloz, chamativa, mas chegou um momento que, mesmo inconscientemente,  refletiu sobre: Quem estava servindo quem?

Foi assim que ele resolveu vender a sua esportiva e comprar um Scooter, afinal, usava a moto basicamente para deslocamentos dentro da cidade. Pesquisou, ponderou e decidiu-se por um modelo econômico e pouco visado para roubos.

– Demorou mais do que deveria para chegar?

– Sim

– Irritou?

– Claro, mas “isso é normal”, acontece.

Passaram-se exatamente 5 dias após a retirada do Scooter da loja, quando voltando para casa, ele simplesmente parou. Meu amigo tentou, mas não conseguiu fazer o veículo funcionar. Como não entende de mecânica, tão pouco de elétrica, imediatamente acionou o seguro que o guinchou até a concessionária. Chegando lá o mecânico deu partida e a moto funcionou. Alegou que era a injeção eletrônica se adaptando ao combustível e o liberou.

Poucos dias depois o mesmo problema aconteceu. Resultado? O primeiro problema [elétrico] se agravou e afetou demais partes da moto a ponto de ser necessário a substituição de uma peça. Hora de acionar a burocrática garantia. Isso tudo por que? Houve problema na montagem do Scooter. Para quem não sabe, motocicletas são enviadas parcialmente montadas para as lojas. A montagem final é feita por mecânicos das concessionárias.

O Scooter só voltou para as mãos do meu amigo depois de semanas. Enquanto isso ele se virava com transporte público, caronas e taxis. As idas e vindas infelizmente continuaram e hoje ele comprou outro Scooter, mas não tem coragem de vender o problema para outra pessoa.

Agora reflita comigo? O quanto essa fabricante de motocicletas gastou para deixar meu amigo irritado e insatisfeito? (para não dizer outra coisa). Nesse momento te convido a parar por um instante a leitura e relembrar alguns casos de desserviços prestados a você. Pensou? Ok, agora volta pra cá.

A empresa em questão, por não ter o devido cuidado com os serviços prestados, gerou para si mesma gastos desnecessários.  Ao não montar o veículo adequadamente, demandou tempo de trabalho de seus mecânicos. Por não dar a devida atenção para o problema, permitiu que o mesmo se agravasse, assim a empresa foi obrigada a arcar com o custo de uma nova peça e mais tempo dos mecânicos. Isso sem mencionar a falta de preocupação em recuperar a relação com o cliente, os custos do tempo de outras pessoas envolvidas em todos esse processo, transporte etc…

No entanto o maior prejuízo fica por conta da imagem da marca.  Vocês acham que meu amigo deixou barato todo esse transtorno? Claro que não.  Reclamou no Twiter, Facebook, fórum de discussões, blogs e no que mais você pensar. Virou um verdadeiro ativista. Exagero? Pode ser, mas acredite, acontece com mais frequência do que você possa imaginar.

O ponto é. Quantos negócios essa fabricante de motocicletas deixou de fechar [$$$] só por causa do meu amigo insatisfeito? Quanto dinheiro ela gastou por não prestar um serviço eficiente?

Muito bem. Como sanar esses problemas que assolam muitas empresas? Oras, projetar adequadamente o serviço. Quando o fazemos garantimos que tudo será pensados para as pessoas, sejam elas os clientes ou colaboradores que estão envolvidos em todos os processos. Processos que devem ser inovadores e assim melhorar produtividade e qualidade. Além disso, entender a importância de uma rede de fornecimento bem estruturada. Isso para citar apenas alguns exemplos.

É um investimento pequeno se pensar na economia com gastos futuros e reportes positivos da sua marca, no entanto as empresas enxergam como um gasto.

Deveria ser obrigação, mas talvez quando todas as empresas notarem o quanto dói no bolso nos deixar insatisfeitos, situações como as do meu amigo sejam uma exceção.

Sejam felizes.

@marcoz_paulo

por fabio amado.:

Já parou para pensar na quantidade de coisas inúteis que você tem na sua casa? Itens que facilmente abriria mão, que por conta de um impulso acabou comprando ou consumindo? Não seria ótimo fazer com que toda essa tralha se transformasse em algo útil?

Temos o péssimo hábito de não pensar duas vezes antes de comprar algo, considerar se realmente o produto ou o serviço que queremos é necessário. Esse consumo exagerado está chegando ao limite e dá espaço para o crescimento do consumo colaborativo, uma das possíveis soluções, onde as tais tralhas que você guarda na sua garagem podem ganhar utilidade na mão de outras pessoas.

Recentemente, para tristeza da minha namorada, comprei um Playstation 3 e em um puro ato impulsivo, comprei 4 jogos da mesma série “Assassins Creed”. Isso me custou muito dinheiro e arrependimento, porque os jogos não eram bem o que eu esperava.

Ao “retomar” a consciência, eu tinha em mãos 4 jogos que não faziam sentido algum para minha diversão. Isso era um problema, pois não fazia ideia onde e como eu poderia me livrar desses games de um jeito sustentável para o planeta e para o meu bolso.

Até que eu me lamentei com um amigo que me falou sobre uma loja virtual com o serviço de troca de jogos. Eu por ser um novato no mundo dos games, não fazia ideia que existia alguém que fizesse esse tipo de acerto. Como o serviço me parecia bem estruturado, eu acabei solicitando uma troca dos meus jogos usados “chatos”, por novos “legais”.

A transação foi um sucesso! No dia seguinte o peso da minha consciência sumiu ao receber no conforto da minha casa os novos joguinhos, sem problema nenhum. Essa troca fez com que eu gastasse apenas R$20,00 (valor da entrega) e me garantiu uma boa diversão com 4 jogos novos. O mais legal disso tudo é imaginar que alguém irá tirar o mesmo proveito dos jogos que eu barganhei.

Esse exemplo de consumo colaborativo não é só mais uma tendência para o futuro, isso já é uma realidade e uma necessidade que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado. Esse serviço tem rolado com games, carros, bicicletas, roupas, viagens, livros, utensílios domésticos, imóveis, reciclagem, música e muitas outras áreas. A lista é longa.

Trocar, alugar, compartilhar, emprestar, experimentar assumem a posição do verbo comprar quando o assunto é esse. Isso decorre da atual situação das redes sociais, (deixamos um rastro na internet e nos mostramos confiáveis, ou não) do ecossistema do planeta (que não comporta mais o consumo desenfreado) e das mais recentes crises globais. Estamos interessados no acesso, o sentido da posse vem cada vez mais perdendo força com a efemeridade de nossas constantes mudanças e com nossa falta de espaço.

Para quem quer saber mais, existem dois livros essenciais sobre consumo colaborativo:
O primeiro,  “O que é meu é seu”, de Rachel Botsman e Roo Rogers, dá uma boa introdução dos grandes problemas que o consumo desorganizado gera e mostra uma ótima cobertura sobre novas soluções espelhadas na colaboratividade.
O segundo é o “The Mesh”,  de Lisa Gansky, que cita muitos exemplos de empresas e serviços que estão cada vez mais focados na troca de interesses.

Seja para posicionamento de marca, utilidade pessoal, barganhas, desvio de tédio, o consumo colaborativo tá aí como uma ótima solução e devemos aproveitá-lo.

@fabioamado