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Projetos

Post escrito pela leitora Giovana Facione, designer de produto apaixonada por Design Thinking, cozinhar e andar de bicicleta nas horas vagas. 🙂

Fico feliz em compartilhar no blog a contribuição do Design Thinking em meu Trabalho de Conclusão de Curso em Design de Produto. Meu projeto foi inspirado em workshops, artigos e publicações da área, porém o livro Design Thinking Brasil definiu meu pensamento a respeito da construção do trabalho. Com uma base teórica ampla e fundamentada, me ajudou a compreender o processo de design como pensamento centrado no ser humano.

Conforme sugere o livro DTBR, o DT é sustentado por três pilares: empatia, colaboração e experimentação. Apresentarei sob esta ótica as principais ferramentas que contribuíram para a obtenção do resultado do projeto.

O desafio do projeto foi desenvolver uma proteção corporal para coletores de lixo domiciliar. Este trabalhador está inserido em um ambiente insalubre, sujeito a acidentes que podem colocar sua vida em risco, além do enorme preconceito que sofre por lidar com o lixo.

Empatia é sobre mergulhar no universo das pessoas, entender desejos e necessidades e assim construir soluções encantadoras, mesmo para quem lida com lixo (por que não?). Para conseguir entrar na realidade do coletor de lixo foi necessário descobrir o que gosta de fazer nas horas de lazer, entender como vive, quais são seus valores e principalmente o impacto que o trabalho tem em sua vida. Dentre diversas ferramentas aplicadas, cabe ressaltar o uso do Storyboard e da Participação como ponto chave do trabalho. A ferramenta Storyboard é “uma maneira rápida, lúdica e econômica de evidenciar cenários de uso” segundo o livro DTBR. O intuito foi tangibilizar acontecimentos relevantes para o projeto e comunicar de forma simples as observações feitas em campo.


Storyboard

Storyboard do projeto

A segunda ferramenta utilizada foi a Participação, onde tive a oportunidade de experimentar em campo um pouco do que os coletores passam na realidade e assim entender realmente a experiência que tem todos os dias.

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Sentindo a experiência de trabalho dos coletores.

Colaboração é o segundo aspecto que compõe o pensamento do Design Thinking, e em síntese é sobre envolver as pessoas que estão dentro do contexto do projeto para que contribuam com ideias. Desta forma a solução final conta com diversos pontos de vista e acaba sendo mais rica e relevante. A solução final começou a ser definida após a co-criação, momento em que muitos fatos relevantes surgiram.

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Workshop de co-criação com a participação de coletores.

experimentação, terceira essência do DT, tem a ver com errar cedo, aprender rápido e assim evoluir as ideias com um baixo custo para o projeto. A experimentação foi aplicada em diversos momentos e de maneiras diferentes. Inicialmente por meio de sketchs e em seguida através do desenvolvimento de um mock-up, espécie de modelo do produto final com materiais e estrutura simplificados. Assim a solução final começou a tomar forma para que os ajustes necessários pudessem ser feitos.

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Mock-up da alternativa para a proteção dos pés e pernas.

Em resumo, a estrutura do projeto foi construída levando em consideração os três pilares do Design Thinking. Para compreender o cenário foi  preciso existir empatia com os usuários, para facilitar a comunicação e a compreensão das ideias foi necessário aplicar a experimentação, e por fim, a colaboração foi importante durante o processo de criação para obtenção de novos e relevantes pontos de vista. Sem a aplicação do DT, dificilmente o trabalho teria identificado com tamanha profundida a essência do problema a ser solucionado, a resposta está nas pessoas!

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Conceito final desenvolvido para proteger os pés e a área inferior das pernas.

Registro aqui meus sinceros agradecimentos aos escritores do livro, Tennyson Pinheiro e Luis Alt pela inspiração!

– Giovana Facione

E aí, gostaram? Para saber mais sobre o projeto da Giovana, acessem https://mergulhoexperiencial.jux.com ou www.be.net/giovanafacione . 🙂

por Marcos Paulo:

entrevista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá se foi 2012.

Quando iniciamos um novo ano, o que mais temos em nossas cabeças são projetos, não é mesmo? Se sua ideia for um projeto de inovação em serviços, aí vai uma dica.

Sempre frisamos que a premissa de nosso trabalho deve ser a preocupação em desenvolver soluções que façam diferença na vida das pessoas. Para que isso aconteça, é necessário entendê-las.

A melhor maneira de coletar informações de forma inspiradora e rica é fazer o que chamamos de Entrevista de Profundidade ou “EP”. Uma EP nada mais é do que uma conversa informal com usuários reais de um determinado serviço, com o intuito de entender necessidades e comportamentos por meio do relato de suas experiências.

Você deve estar pensando: Ok, mas como eu faço isso?

Primeiro você deve identificar e entender com quem você precisa conversar. Que pessoas irão contar histórias cheias de experiências boas e ruins que te ajudarão no decorrer do projeto. Uma boa tática é mapear os perfis extremos que de alguma maneira se relacionam com o serviço em questão. Explico: Se você conseguir desenvolver soluções relevantes para aquele rapaz que vai ao cinema vestido de Darth Vader e ao mesmo tempo engajar aquela pessoa que prefere ver Tela Quente a sair para pegar um cineminha, sem dúvida alguma os usuários “normais” também serão bem atendidos.

Algo que muitos deixam de fazer é se preparar. Antes de sair a campo, defina e monte uma estrutura que deixe muito claro o que você quer descobrir. Para alguns tópicos chave, você pode pensar em atividades que ajudem a extrair as informações de maneira mais lúdica. Além disso, pausas para dinâmicas ajudam a dar a sensação que a entrevista foi mais rápida do que realmente é. Vale lembrar que é sempre bom testar a entrevista com alguém da sua equipe ou amigo para avaliar se está tudo funcionando bem. Afinal, sempre é bom prototipar.

O ideal é que tenha pelo menos duas pessoas na equipe da entrevista. O entrevistador é responsável apenas por falar com a pessoa, sendo sua única preocupação conduzir e criar um vínculo de empatia com o entrevistado. Já a pessoa de suporte é responsável por realizar o registro com gravações de áudio, vídeo (não se esqueça de deixar os equipamentos carregados) e organização das atividades, antes, durante e depois da entrevista.

É importante que a pessoa entrevistada esteja a vontade. Dito isso,  procure combinar o bate-papo em um local lhe seja familiar, como em sua casa ou trabalho. Outro recurso interessante é incentivar que a pessoa convide um familiar ou amigo próximo para participar. Além de deixar o usuário mais a vontade, a outra pessoa poderá confirmar (ou não) o que ele está falando.

Agora vem a parte mais legal: a entrevista. Comece fazendo uma apresentação da sua equipe e do projeto que está fazendo. Enfatize a importância da participação do entrevistado e peça permissão para gravar o bate papo. As pessoas no geral gostam de contar suas histórias, sua missão será apenas manter a conversar fluida e dentro do que você planejou.

Por não ser uma entrevista linear, muitas vezes o entrevistado pode começar a “viajar” em outros assuntos, isso não é necessariamente um problema, muitas informações relevantes saem justamente nesses momento (não deixe de anotar), porém cabe a você saber a hora de colocar a conversa nos trilhos novamente conectando algo com o assunto central. Não se esqueça de sempre perguntar como, onde, quando e por que e cuidado com os momentos de silencio, isso pode causar desconforto nas pessoas.

Quando terminar, agradeça a participação e explique quais são os próximos passos do projeto. Ah! É comum em casos de recrutamento a entrega de uma recompensa pela participação além e assinar um formulário de consentimento para o uso das informações da entrevista.

Logo após a entrevista, aproveite que as informações ainda estão “frescas” em sua mente, e anote os 10 pontos que considera mais relevantes para o projeto. Ou seja, elenque os top 10 insights.

É isso ai! Além de ser uma ótima forma de coletar informações, uma Entrevista de Profundidade sem dúvida alguma é uma experiência transformadora. Portanto, em seus próximos projetos, não deixe de mergulhar na vida das pessoas.

Que 2013 seja um ano de transformações.

@marcoz_paulo
FB: Marcos Paulo

por Clarissa Lütke:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como prometido no post passado, hoje falarei um pouco sobre brainstorming.

Você já ouviu falar em brainstorming? Bom, se você for da área do design, publicidade… Com certeza sim. Mas se você não sabe o que é, brainstoming, em sua simples definição é “tempestade cerebral”, ou melhor, uma “tempestade de ideias” onde um grupo de pessoas reunidas põe “pra fora” toda e qualquer ideia relacionada a solução do problema a ser resolvido.

Existem algumas “regrinhas” básicas para um brainstorming ser bem sucedido, elas ajudam, e muito, a enriquecer o processo.

A primeira regra é não fazer julgamentos. Não julgar, classificar ou reter qualquer ideia até o fim da sessão é essencial. Sugerir que esta ideia tem efeitos negativos também não funciona, assim como discuti-las.  As ideias devem ser apresentadas como soluções do problema ou apenas como base para desencadear soluções. Mesmo as ideias que aparentemente são “bobas” podem desencadear soluções incríveis. Anote todas as ideias e lembre que neste momento não existem más ideias.  A avaliação das ideias ocupa uma parte valiosa do cérebro que deve ser dedicado à criação. Maximize a sua sessão de brainstorming focando apenas em gerar ideias.

Outro dica é incentivar ideias malucas e exageradas. Abuse de ideias bizarras e até mesmo as que são aparentemente inviáveis, para ver o que desencadeia. Os resultados podem ser impressionantes. Claro, mantenha o foco no tema, mas devaneie nele.  E você não precisa apensas escreve-las, pode desenha-las também. Tornar visual a ideia é muito útil.

O que mais conta em um brainstorming é quantidade, e não qualidade. Deve-se abrir a cabeça ao máximo e deixar para filtrar as ideias depois da sessão. Tente manter cada ideia curta, não descrevendo-a em detalhes – apenas o bastante para capturar sua essência – mas mantenha uma conversa por vez, afinal é uma tempestade e não uma confusão.

E usufrua da co-criação. Construa e expanda as ideias dos outros. Experimente e adicione pensamentos extras para cada ideia. Use as ideias de outras pessoas como inspiração. Combine várias das ideias sugeridas para explorar novas possibilidades.

Ou seja, quando for fazer uma sessão de brainstorming, relaxe, foque e fale tudo o que vier na sua mente. Deixe para se preocupar se sua ideia foi genial ou não só depois que tudo acabar.

 

@clarissalutke

por Marcos Paulo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao contrário de muitos brasileiros, meu esporte favorito não é o futebol. É o esporte a motor que me apaixona, sendo a Fórmula 1 a categoria que mais me fascina.

Como em qualquer outro esporte, temos aqueles caras especiais que fazem a diferença e sempre serão lembrados por suas vitórias, como o herói Ayrton Senna ou o sagaz Nelson Piquet (meu preferido). Mas a F1 é um esporte em equipe, e muitas vezes isso não é lembrado. Existe um exército de engenheiros, projetistas, designers e mecânicos que trabalham duro para conceber o melhor carro para seus pilotos.

E uma das etapas mais importantes na concepção de um F1 é a prototipagem. É isso mesmo. As equipes investem grande parte de seus recursos de tempo, inteligência e dinheiro testando e melhorando itens mecânicos, aerodinâmicos e até mesmo combustíveis e lubrificantes.

Alguns projetistas, como o genial Adrian Newey, iniciam seu projeto ainda no papel. Ali mesmo já avaliam se determinadas ideias estão dentro do regulamento e se poderão receber novas partes mecânicas, por exemplo.

Então é feito um modelo virtual realístico, que permitirá avaliar com mais precisão as soluções desenvolvidas para o bólido. Como ainda está no virtual, é possível fazer mudanças estruturais sem demandar grandes investimentos.

Ainda no meio digital, são realizados testes aerodinâmicos com a ajuda de um software chamado CFD (Computational Fluid Dynamics).  Este recurso é usado para diminuir custos, afinal, usar um túnel de vendo é muito dispendioso.

Depois disso, é criado um mock-up em escala reduzida que será levado ao túnel de vento para as avaliações finais. Os resultados obtidos nesses testes aerodinâmicos são muito similares ao que terão nas pistas.

Só então são construídos os modelos finais que estarão nas pistas para: MAIS TESTES!

No início deste mês, as equipes foram até Mugello na Itália para realizar os ensaios finais em seus carros antes do início da fase europeia do campeonato. Muitas peças embarcadas no carro ainda estavam em caráter de “protótipo piloto”.

Ufa, quanta coisa não é?

Se na F1 onde existe um cenário tão competitivo, onde criar elementos que permitam aos pilotos ganharem alguns milésimos de segundos, são feitos tantos testes, por que no nosso dia a dia os protótipos são muitas vezes deixados de lado?

Prototipar permite que você erre e corrija cedo, abrindo a possibilidade de fazer alterações antes de ter realizado grandes investimentos. Modelos são ótimos para comunicar ideias e receber feedbacks. Além disso ajuda a criar novos conceitos e validar soluções.

Você pode, por exemplo, fazer um protótipo de interação de usuários com um aplicativo utilizando simples cards de papel e desenhos feitos com sua lapiseira favorita. Você visualizará novas possibilidades e ira provocar reações que garantirão uma grande quantidade de insights.

Use como inspiração o “Circo da Fórmula 1” e prototipe mais.

Seja mais piloto de testes.

@marcoz_paulo

por Fabio Amado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ahhh férias! Tirei as minhas na semana passada. Parar de pensar no trabalho? Jamais! Rsrs. Não que eu seja um “workaholic”, mas desde que conheci a abordagem do Design Thinking comecei a aplicar inevitavelmente em todas as situações da minha vida.

Nessa segunda eu e o Gustavo Bittencourt apresentamos o tema em um bate papo para umas 60 pessoas na Escola São Paulo, e muitos dos participantes pediram vários tipos de exemplo da aplicação da abordagem. Ao buscar na minha mente um caso recente, lembrei do planejamento da minha viajem de férias.

Situação peculiar: minha família é enorme e muito unida! Marcamos de ir em 8 de nós, juntos para Nova York! Como resolver o roteiro de 8 pessoas de estilos totalmente diferentes indo compartilhar 1 semana na cidade mais cosmopolita do mundo?

Design Thinking!

Pensei em aplicar um workshop com usuários, que fizesse com que todos co-criassem um só roteiro de viagem que fosse desejável, financeiramente viável e tecnicamente possível para todos. De início pedi que todos com interesses particulares já fizessem uma desk research e pesquisassem lugares que gostariam de visitar. Com a ajuda de um guia turístico e muitas dicas de amigos e blogs, selecionamos o que um bom turistão não poderia deixar de conhecer.

Anotamos cada item – passeios, lojas, restaurantes, eventos, museus e etc. – em post its de cores diferentes, cada assunto tinha uma cor específica. Colamos na parede e depois com o mapa de Nova York impresso em um board com mais de 1 metro quadrado, fomos reposicionando os post its nos endereços de cada atração. Depois de todos os endereços localizados conseguimos dividir os “afazeres” por dia e já traçar o caminho a percorrer no mapa, mantendo sempre a categoria – lojas – para o fim de cada dia.

Mantivemos separados os post-its de lugares ou coisas que nem todos gostariam de fazer, para que cada micro-grupo ou até mesmo uma pessoa sozinha pudesse montar seu próprio roteiro na sexta e no sábado, dias classificados como “dia-livre”.

Após 3 horas de sessão, conseguimos chegar em todos os passeios que fossem relevantes para cada um de nós, e com isso evitar aquelas dores de cabeça que sempre temos quando viajamos em grupo. O workshop também foi bom para dividirmos todas as tarefas pré-viagem e principalmente para alinharmos as expectativas de conhecer uma nova cidade. Ao chegar na cidade 90% do nosso planejamento deu certo. Ao ver como ela realmente é, não pude deixar de sentir falta de uma prototipagem, mas como prototipar algo tão peculiar? Vou considerar essa minha primeira ida como experimentação, porque pude concluir que Nova York é uma cidade para ser descoberta a cada passeio, e que é preciso reservar mais tempo para essas experiências, mas o bom é que isso estimula o retorno.

Concluindo, acredito que esse tipo de abordagem poderia ser facilmente utilizada por uma agência de turismo junto ao seus clientes, alinhando a experiência e o know-how da operadora com a expectativa dos viajantes, dando a oportunidade para cada um dos turistas personalizar de forma colaborativa os seus roteiros. Temos sempre que lembrar que o foco de qualquer serviço é a relevância que ele traz no dia a dia das pessoas que o utilizam. Afinal todos são seres humanos em buscas de experiências e histórias para contar.

@fabioamado

 

 

Acredito que muitos já devem ter ouvido falar em co-criação, certo?

Bem, co-criação nada mais é do que criar em conjunto, interagir para que aquilo que está sendo criado seja rico em pontos de vista e opiniões. Tornando assim a criação o mais completa possível. Algo simles, porém muito efetivo.

Acho que ás vezes nós, seres humanos, esquecemos que para termos boas idéias, nada melhor do que compartilhar pensamentos, saber escutar e não ter medo de opinar.

Já que a co-criação é efetiva e tão simples, pergunto-me por que ainda existem decisões que são tomadas somente por uma pessoa, quando essas decisões afetam mais pessoas. E por que, na maioria das vezes, essas pessoas que são afetadas pelas consequências das decisões, não são questionadas nenhuma vez. Um exemplo para isso são as cidades + seus prefeitos + suas comunidades. Será que há diálogo entre a comunidade e o prefeito? Ou ele e a câmara tomam as decisões sozinhos? Não seria legal todos poderem opinar sobre o lugar onde vive?

Um exemplo de como as pessoas sentem vontade de participar e opinar, foi a iniciativa da artista Candy Chang <www.candychang.com>. Ela explora, através da co-criação, como deixar as cidades mais confortáveis, agradáveis e contemplativas.

Um dos movimentos é o “I wish this was”, nascido em New Orleans. Neste movimento Candy combinou arte de rua e planejamento urbano criando um adesivo dizendo “I wish this was ________”. Estes adesivos (feitos em vinil, para a fácil remoção) foram colados em lojas, casas e fábricas vazias ou abandonadas para que as pessoas que por ali passassem pudessem escrever no que gostariam que aquele lugar se transformasse. Os adesivos fizeram sucesso e expandiram, o pessoal já expressava onde queria prender sua bicicleta, onde ficaria bom mais flores ou árvores e ect.

 

 

Não é uma forma fácil de ouvir a opinião de todos interessados, abrir a cabeça, encontrar boas soluções? E não seria bom poder opinar no seu bairro, cidade, estado e até mesmo país? Com certeza o espaço para co-criação deveria ser mais aberto, afinal, quem usufrui dos lugares, serviços, produtos, bairros, cidades…somos todos nós.

Então ‘fica a dica’ para todos que sentem vontade de criar e, principalmente, para aqueles que “decidem as coisas o tempo todo”… Co-criar não só enriquece o resultado, como é necessário.

Uma popular ferramenta de co-criação é o brainstorm, e quando corretamente utilizada, é muito eficaz. No próximo post falo mais sobre como fazer essa tempestade de idéias facilitar a sua co-criação.

 

=)

@clarissalutke

por luis alt.:

Muitos me perguntam sobre Gestão de Design e se conheço bons exemplos da aplicação em uma empresa. Trago, dessa vez, um exemplo de marca que sabe muito bem o que e como faz: Chipotle. Eu poderia passar horas aqui descrevendo o que acontece nas lojas dessa rede de fast-food americana de comida tex-mex. Fundada em 1993, trata-se de uma empresa com posicionamento claro, ótima comida e uma batalha a favor da sustentabilidade(1) por trás (food with integrity é o slogan deles). Mas não é disso que eu vim falar (apesar da foto do Burrito estar difícil de tirar da cabeça neste ponto, né?) Antes de começar, a história oficial(2) e como eles se descrevem …

At Chipotle, we aim to do a few things but do them exceptionally well. When Chipotle first opened its doors in 1993, the goal was simple: to serve high quality, delicious food quickly with an experience that not only exceeded, but redefined the fast food experience. To that end, we focus on sourcing the best possible ingredients, serving the tastiest food, and growing the most capable team we can.
Good food IS good business.

Como eu falei, o objetivo era (e continua sendo) comida boa, mas com uma experiência melhor ainda. E é exatamente sobre essa experiência que eu gostaria de escrever hoje. Ao entrar na loja, a impressão é de que tudo está feito sob-medida, em uma orquestra perfeita de serviço: produtos de qualidade, preparados em uma cozinha aberta e com ingredientes frescos; bandeja, copos e guardanapos com um design gráfico na medida certa; decoração vibrante e funcional, fácil de limpar e com ótima circulação (as filas, por exemplo, são intuitivas e seguem as paredes do local; sustentabilidade presente em todos os lugares (seja na comida, seja no espaço físico). Mas lembrem, estou falando de uma rede de fast-food com mais de 1.000 restaurantes espalhados pelos Estados Unidos e com uma experiência fantástica sendo entregue constantemente em todas as lojas.


Decidi escrever este post pois este gerenciamento de experiência de marca é um dos exemplos mais marcantes que encontrei nos Estados Unidos de gestão de design no setor de serviços. Acreditem, não é nada fácil encontrar um caso como esses. Vejam abaixo o que eles falam sobre a experiência Chipotle e entendam porque ela é tão importante …

It takes more than great tasting food to make a terrific meal. It takes an awesome location and eating with fun, interesting people. Unfortunately we can’t make your friends any more interesting or fun. What we can do is carefully design each of our restaurants to create a unique dining experience fundamentally different than you would get with traditional fast food.

Poderia me estender bastante aqui escrevendo sobre diversos elementos e o que está por trás disso tudo. A verdade é que conheci apenas a linha de frente e algumas poucas coisas que me comentaram ou li pesquisando para escrever este artigo. Decidi abandonar tudo isso pois o que me fez querer escrever sobre a marca foi minha experiência de loja, então vou comentar sobre algumas coisas que achei interessante de lá (com imagens, é claro).

1- Trash Design

Essa é nova, né? Bom, os lixos do restaurante nos remetem à sustentabilidade e são geniais. Um lugar para colocar garrafas ao redor dos lixeiros me pareceu uma boa solução para evitar líquidos derramados, vidros quebrados e espaço mal utilizado. O que vocês acham?

2- Fax Design

Quem utiliza fax hoje em dia, né? Bom, os escritórios americanos aparentemente, muitos deles. E é para essas pessoas que a Chipotle criou um template de pedido por fax e um serviço rodando por trás disso. Basta enviar os detalhes do pedido de maneira muito simples (pois foi criado pensando na situação das pessoas preenchendo e não nas necessidades da empresa em processar mais facilmente) e voilá! Você tem o direito de apenas passar para retirar o pedido, sem ter que enfrentar nenhuma fila. Interessante, não?

3- App Design

Para os mais moderninhos, não poderia deixar de haver um aplicativo da rede para fazer pedidos. Funciona que é uma beleza!

 4- Transparency Design

Deixo por último o ponto que mais me impressionou: a transparência em todos os detalhes. Seja no balcão de vidro com ingredientes frescos e sustentáveis (que pode não parecer tanta novidade para os clientes do subway) a presença bastante evidenciada das calorias de cada um dos tipos de comida (não é por lei como muitos vão pensar, escrevo isso pois essa informação está com fontes grandes no cardápio do display acima do balcão) e, principalmente, por disponibilizarem, na frente do caixa, um cartão de visitas do Gerente da loja com telefone para contato. Isso é acreditar no próprio taco (ou burrito).

Parabéns Chipotle, para mim um belo exemplo de Gestão do Design e pessoalmente de má gestão de calorias!

ps. Pessoal, acabo de voltar dos Estados Unidos onde palestrei em NYC na Parsons e em San Francisco no congresso da Service Design Network. Tenho várias novidades para compartilhar então gostaria de saber sobre o que vocês querem que eu escreva primeiro: (a) Parsons New School of Design, (b) D.School em Stanford, (c) Cupertino e a Sede da Apple, (d) Design in the USA (algo como o post da Inglaterra) ou (e) Evento da SDN. Colaborem nos comentários

Um Toolkit contendo estratégias, métodos e técnicas de Design de Serviços que utilizamos diariamente para criar serviços fantásticos, que as pessoas recomendam e amam utilizar.

Nosso desafio é fazer com que as pessoas nutram mais desejo por utilizar serviços do que por possuir produtos. Para isso projetamos serviços que se conectam a vida das pessoas e permitem que expressem quem são e o que representam. Nosso objetivo é criar Service Envy.

O que é o Service Envy Toolkit ?

O SET é um deck de cards contendo algumas das estratégias, métodos e técnicas de Design de Serviços que utilizamos diariamente para criar serviços fantásticos, que as pessoas recomendam e amam utilizar.

Como utilizo?

O SET possui cards de técnicas e das etapas de um projeto. Para montar um plano de projeto basta ordenar os “favos” reunindo os cards com as técnicas que voce deseja utilizar ao redor de cada fase do seu projeto.

 

 

Como faço para adquirir o Service Envy Toolkit?

O SET somente está disponível na versão impressa e pode ser comprado através do email: serviceenvy@liveworkstudio.com.br.