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Pensamento

por Douglas Cavendish:

o que é branding?

Olá pessoas, como vão? Espero que bem.

O carnaval passou e agora o ano começou de verdade, muito trabalho e muito crescimento pra todos nós no decorrer deste ano!

Vamos lá!

Hoje quero falar sobre um assunto que está em alta e que muita gente entende errado, vamos falar sobre Branding. Pra você o que é branding? Gestão de marcas? Construção visual? Estratégia de negócios? Pensa aí…

Branding se tornou uma palavra muito utilizada e na maioria das vezes mal utilizada, tudo tem nome de branding hoje em dia, não é verdade? Personal Branding, Digital Branding, Place Branding, Whatever Branding. O problema disso tudo não está em criar vários nomes, ou segmentar cada forma de se fazer branding, mas sim em como as empresas que estão utilizando isso entendem e entregam os projetos ditos de branding.

Não é só sobre criar a “identidade” de uma marca, seja visual, verbal ou cultural, mas também sobre criar a experiência que o usuário vai ter com essa marca. O que acontece com muitas empresas que dizem entregar branding é que elas projetam apenas metade do serviço de uma marca, geralmente entregando ao final de um projeto um “brandbook” onde apresentam a identidade da marca e uma proposição de como a empresa deve agir estrategicamente, porém, essa proposição dificilmente toca quem vai ter contato real com a marca, os usuários, o que acaba gerando um enfraquecimento no posicionamento da marca. Isso geralmente acontece porque este mercado ainda mantém uma mentalidade baseada na estética ou nos produtos ofertados pela marca e não no serviço que ela presta, que aliás é a razão pela qual essa marca existe. Por isso é muito comum o usuário se deparar com evidências de marca extremamente belas e eficientes aliadas a um discurso comovente que aumentam não só a promessa da marca, mas também a expectativa de quem vai consumi-la, porém, quando o usuário interage com a marca usando-a em seus vários pontos de contatos, percebe que o que foi prometido a ele não está sendo entregue (vide os serviços de telefonia do Brasil, campeões de reclamações pelos clientes) e, por isso, se decepciona, esse gap entre o que foi prometido e o que foi entregue é o que gera relacionamentos de ódio e desgosto entre usuário e a marca.

Portanto, branding é mais sobre pensar nas pessoas e como conseguir construir marcas relevantes pra elas, marcas que participem de sua personalidade, marcas que convivam com seus interesses e que pertençam às suas prioridades, ou sejam marcas com vínculos mais empáticos. Por exemplo a estratégia de “branding” da Starbucks chamada “Terceiro Lugar”, que consiste em se colocar como o terceiro lugar na vida de seus usuários numa escala de interesse e prioridade, depois da casa e do trabalho. Entendem o que eles querem se tornar? Entendem o tamanho da relevância que a marca tem que oferecer para seu cliente pra que ela consiga alcançar isso? Não é apenas discurso ou belas evidências, mas emoção, processos, resolução rápida e eficaz de problemas, ou seja, coisas que vão fazer os clientes Starbucks colocarem na prática a marca em terceiro lugar na sua vida. Genial.

Precisamos servitizar nossa forma de pensar projetos de branding, precisamos unir o pensamento do graphic design com o pensamento do service design, num modelo cocriativo e multidisciplinar, pra podermos entregar um projeto completo que vai realmente fazer a diferença na vida das pessoas, e com isso gerar valor para as marcas.

Forte abraço a todos, até a próxima! #shalom
@doocavendish

por marcos paulo.:

Oi pra você.

Espero que tenha aproveitado bem o carnaval. Afinal de contas o ano começa definitivamente agora.

Hoje quero falar contigo sobre uma pergunta que me fizeram semana passada. Como posso me tornar um bom Service Designer? Que ferramentas preciso dominar?

Respondi que sem dúvida alguma é importante conhecer e dominar as ferramentas que permeiam nosso trabalho. Inclusive muitas estão listadas no DTBR Book, não deixe de aproveitá-las.

No entanto, pesquisar e estudar sobre ferramentas e processos, testar e aprender na tentativa e erro, qualquer pessoa pode fazer. Você poderá até se tornar um bom Service Designer dessa forma, mas estará longe de ser completo.

Quando ouvi essa pergunta o que me veio a cabeça foi umas das coisas que eu mais gosto aqui na Live | Work, a troca de conhecimento.

Estamos o tempo inteiro trocando experiências e pontos de vistas sobre diversos assuntos. Psicologia, empreendedorismo, branding, cultura, filmes, etc. Sempre sob a ótica de serviço. Cada pessoa da equipe possui um background diferente, trás pontos de vistas distintos sobre o tópico do momento. Ai está a riqueza.

Ler bons livros é de suma importância. Se embeber de boas fontes como o DTBR Book vai fazer com que você transforme o modo como vê as coisas.

Um exercício fantástico que fazemos por aqui consiste em, de tempos em tempos, ler 3 livros diferentes que consideramos relevantes. Ao final do prazo nos reunimos e compartilhamos o que aprendemos e como podemos aplicar isso em nosso dia a dia.

Além disso é importante acompanhar bons blogs (como este), sites de notícias e participar de bons fóruns de discussão. Realizar sessões de RPG, visita a exposições, ver filmes e séries são outros exemplos de atividades que faram de você um profissional melhor.

Quer um exemplo?

Aonde a leitura sobre os estudos do Paul Ekman de microexpressões ou de  livros sobre leitura corporal como O Corpo Fala (Pierre Weil & Roland Tompakow) podem te ajudar?

As possibilidades são imensas, mas posso citar como exemplo o uso em uma entrevista de profundidade. Ter esse conhecimento pode te ajudar a descobrir se a pessoa está desconfortável ou não está sendo completamente sincera. Em uma sessão de prototipagem pode notar se a pessoa está tendo mais dificuldade do que realmente aparenta ter. Sem dúvida isso modifica a dinâmica da sua coleta de insights para a realização do trabalho.

Você vai pereber que, conforme for fomentando e exercitando seu lado multidisciplinar, vai ganhar uma visão gestáltica sobre tudo que fizer. E isso muda completamente a qualidade do seu trabalho final.

E o mais legal é que quando tomar gosto, esse aprendizado será constante e ininterrupto. Você só tem a ganhar pessoal e profissionalmente.

O que encontrará nesse blog é exatamente isso. Discussões sobre diversos assuntos, levantados por pessoas com pontos de vistas distintos. E a sua participação com comentários e compartilhamentos só fará com que a experiência seja cada vez melhor para todos.

Seja multidisciplinar.

@marcoz_paulo

por gustavo bittencourt:

Olá! No último domingo eu decidi aproveitar a liquidação das lojas de mobiliário de São Paulo e saí para comprar um sofá para a minha casa. Peguei o carro, trânsito, uma fila no estacionamento, e fiquei algumas horas procurando o sofá que queria. Quando achei que minha jornada estivesse chegando ao fim, meu cartão não passou, mesmo eu tendo o dinheiro na conta.

Quando isso aconteceu eu já fiquei tenso com a iminência de ligar para um call center, na minha opinião o evento mais irritante do mundo. Bom, acho que essa parte dispensa maiores explicações, não consegui resolver o problema. As empresas investem milhões “brandeando” o que elas são, para depois frustrar seus clientes

No começo do atendimento, somos obrigados a falar com uma máquina e antecipar a empresa qual é a área que deve cuidar do nosso problema, e se eu não souber qual é? O detalhe interessante dessa parte é que a opção para falar com o atendente é sempre a última.  Quando finalmente conseguimos falar com alguém e esse alguém é a pessoa certa (o que normalmente acontece na terceira ou quarta tentativa) percebemos que qualquer coisa que fuja do seu roteiro limitado faz com que fique impossibilitada de nos ajudar.

As empresas fazem uma conta brilhante para desenhar seus call centers: – Com certeza teremos muitas ligações já que o nosso serviço não é tão bom assim e não podemos “gastar” muito dinheiro atendendo essas pessoas, então vamos pegar a mão-de-obra mais barata que conseguirmos e não vamos ensinar ela a pensar, só precisamos dar um roteiro com “todos” os problemas que podem acontecer e pedir para elas resolverem! Assim economizamos um dinheiro enorme e continuar gastando milhões dizendo para as pessoas o que somos! Nãaaaaaaaao! Isso não está dando certo, e eu acho que ninguém precisa ser um gênio para ver isso.

Aí vem a parte mais interessante, ok, isso não funciona, mas também deve ser muito difícil resolver esse problema, imagina ajudar essa gente toda! Não é tão complicado assim.

A Zappos, empresa americana de venda de sapatos online é o maior exemplo.  Primeiro ponto, quando você liga para o call center é atendido por uma pessoa! Incrível né? E essa pessoa não te passa para nenhuma outra, ela é capaz de resolver qualquer tipo de problema. Outro ponto importante, ao invés de medir a “eficiência” do atendimento, obrigando o funcionário a falar com você o mais rápido possível eles incentivam o contrário. Na Zappos, o atendente deve tentar criar um vinculo empático com o consumidor (chamam isso de momento WOW), e falar com ele o tempo que precisar. Isso significa dar dicas de corrida, conversar sobre a viagem que o cliente está planejando e indicar uma outra empresa caso o produto não seja vendido por eles. No livro Delivering Happines, em que o co-fundador da empresa Tony Hsieh fala sobre a sua vida e empresa, ele conta que já tiveram casos de ligações que duraram horas e de um atendente que ajudou o cliente a encontrar a pizzaria mais próxima.

E no que esse atendimento estranho de call center leva? Será que traz algum retorno para a empresa, eles devem gastar um dinheiro enorme! Um dado, o NPS da Zappos, índice que mede a lealdade dos consumidores é 90 em uma escala que vai até 100. Para se ter uma noção do quão fora do comum esse número é, o de outra empresa impressionante, a Apple, é 78.

Um grande abraço!

@gus_bittenc

por douglas cavendish:

Olá pessoas, como vão? Espero que bem.

Da última vez que nos falamos eu disse sobre a importância de nós designers criarmos e contarmos boas histórias, afim de que essas boas histórias estabeleçam melhor empatia com as pessoas tornando a relação de consumo mais emocional. Hoje quero conversar com vocês sobre a importância, ou sobre o propósito de nós designers no mundo.

Pense comigo…quando foi a última vez que você acordou feliz por saber que teria mais um dia de trabalho?

Você consegue pensar um pouco sobre seu propósito neste mundo?

Pois pare por um momento para julgar se o que você tem feito é de fato algo prazeroso e relevante para si mesmo e para o mundo.

Agora sim, let’s go thinkers!

Nós somos herdeiros de uma cultura proveniente da Era Industrial, onde as fábricas, as máquinas, a competição e a produtividade eram os senhores do progresso, ditavam a vida das pessoas, sim, isso mesmo, ditava a VIDA das pessoas, pois esse modelo não se limitava ao chão de uma fábrica, ele era replicado nas famílias, nas escolas, igrejas e em qualquer outro grupo social, porque quem participava dele eram as pessoas. Ainda hoje colhemos os frutos desta cultura basta vermos como as pessoas se relacionam uma com as outras, ou melhor ainda, como que as empresas se relacionam com seus funcionários.

Dias atrás saindo para almoçar próximo à Avenida Paulista, estava na calçada com um amigo e passou um aglomerado de pessoas saindo de um restaurante todas vestidas de terno preto, com gravatas pretas, num sol de rachar. Mais parecia um cortejo de enterro. Você pode achar isso normal, se tratando de uma cidade como São Paulo, mas conversando com este meu amigo chegamos à conclusão de que estas pessoas são tão escravas do seu trabalho, tão escravas deste modelo cultural, que não se permitem afrouxar o nó da gravata nem mesmo no horário de almoço, talvez essas pessoas pensem: “Devo me portar como um adulto, como uma pessoa responsável”, ou talvez seja apenas conformidade com o que está estabelecido.

O problema está exatamente em sermos adultos demais, rígidos demais, cruéis demais conosco. Por sermos herdeiros ricos dessa cultura opressiva, tendemos a olhar as coisas e a vida sempre como silos, sempre grupos fechados e intocáveis, sem questionar os processos nem as consequências desta cultura vigente, simplesmente ignoramos e seguimos a maré. Incrível pensar que remar na mesma direção que todos possa significar algo valoroso nos dias de hoje, sendo que provavelmente alguém no exterior pode fazer aquilo que fazemos mais barato, ou algum computador pode faze-lo mais rápido, ainda mais se tratando de um mercado voltado para a estética e para o produto, ou seja, só vamos sobreviver se passarmos a quebrar estes silos, se passarmos a criar não só beleza estética, mas também beleza emocional, narrativas envolventes, laços mais empáticos que satisfaçam os desejos imateriais das pessoas.

Nós designers precisamos mudar o mundo! E como se muda o mundo?
Se muda o mundo quando começamos a tornar aquilo que antes era indesejável em algo desejável. Se muda o mundo quando passamos a enchergar e entender o nosso propósito, nossa missão integral, o legado que deixaremos. A Era Industrial assim como a Era da Informação também mudaram o mundo mas deixaram um legado insustentável para a nossa geração, como o consumo desenfreado e a não valorização das pessoas, porém estamos às margens da Era Conceitual, um momento da história do mundo em que já não basta mais projetarmos com o pensamento focado no produto ou na estética das coisas, precisamos pensar e criar experiências que mudem a vida das pessoas, é assim que se muda o mundo!

O que você vai deixar para essa geração?
Não importa onde vamos chegar, mas sim a jornada que vamos trilhar, aquilo que vamos construir, e talvez pra se construir algo realmente relevante é necessário antes desconstruir e construir novamente de um novo jeito.

PS.: TODOS somos designers =)

Forte abraço a todos! #shalom

@doocavendish

por gustavo bittencourt.:

Olá! O que você pensou quando viu o carro que está aí em cima? Provavelmente isso: “Ah se eu tivesse um carro desses!” (se não pensou imagine uma lancha, um sapato, ou o produto que tenha uma forte conexão afetiva com você). Temos a clara impressão que seriamos mais felizes se tivéssemos esses produtos, mas vamos descontruir um pouco essa premissa.

Para que esse carro serviria nas nossas vidas? Bom, primeiramente nos traria status social, poderíamos passear por aí com cara de pessoa bem sucedida, talvez seríamos até mais respeitados. Além disso, ele serviria de transporte. Agora o raciocínio oposto, o que teríamos que fazer por esse carro para que ele nos prestasse esses serviços? Além de comprá-lo, pagaríamos IPVA, emplacamento, licenciamento, seguro, teríamos que abastece-lo periodicamente, limpá-lo, trocar sua água, óleo, calibrar os pneus, pagar estacionamento, nos lamentar nos engarrafamentos… Uma jornada e tanto! Partindo desse raciocínio, quem serve quem?

Podemos expandir esse pensamento para tudo a nossa volta. Quando vamos fazer uma transferência de dinheiro, entramos no site do banco e somos perguntados se a operação que vamos fazer é um DOC ou um TED, quem disse que precisamos saber as diferenças técnicas das operações bancarias? Ao fazer isso estamos trabalhando para o banco, e sem receber por isso. É papel do banco entender, pelo valor que precisamos transferir, qual seria o tipo de operação.

Se pensarmos que estamos pagando pelos produtos e serviços que utilizamos (na live|work acreditamos que tudo é um serviço, até um carro, mas isso é tema para outro post :)), é fácil intuir que eles tem que ser úteis e nos obrigar a dar poucos insumos em troca.

O gráfico abaixo ilustra esse pensamento, o ideal é que tudo que possuímos ou utilizamos estivesse no quadrante “Não troco por nada”, ou seja, traz muito benefício e precisa de pouco esforço em troca. É um exercício interessante imaginar aonde as coisas do nosso dia a dia estão localizadas e no movimento que essas coisas tem com o passar do tempo. O exemplo do carro é emblemático, no começo seu uso era extremamente benéfico, já estamos em um segundo momento, onde o esforço para utilizar é alto, imaginar esse cenário evoluir como na linha pontilhada não é muito difícil!

É importante tanto para quem projeta as interações, quanto para quem as utiliza ter isso em mente. Afinal, a cada dia que passa temos menos tempo para nós mesmos e canibalizar esse pouco tempo é tudo o que não precisamos.

Um grande abraço!

@gus_bittenc

 

 

por douglas cavendish.: 

Olá pessoas, como vão? Espero que bem.

Primeiramente desejo a todos um feliz ano novo, que 2012 seja uma ano de construção na vida de todos vocês.

Neste primeiro post gostaria de abordar uma tema muito “esquecido” por nós designers, o storytelling, ou seja, a impotância de contar boas histórias.

Let’s go thinkers!

Poderia apostar que a grande maioria que lê este post não conseguiria se lembrar de alguma noticia que ouviu ou leu ainda essa semana sobre bolsa de valores, ou mercado de ações. Porém se eu perguntar o que o personagem “Piu Piu” diz sempre que vê o gato “Frajola” grande parte de vocês vão me responder: “Eu acho que vi um gatinho”.

O interessante nesta comparação é perceber que nós seres humanos somos muito mais propensos a nos lembrar de uma história envolvente, do que dados estatísticos, matemáticos e lógicos.

Nosso cérebro capta e retém informações muito mais fácil e rapidamente quando estas nos são contadas em forma de histórias. É a melhor maneira que nossa mente encontrou pra trabalhar. Ela organiza tudo o que vivemos e experienciamos sob a forma de histórias, por isso fica mais fácil acessar essas informações quando precisamos delas.

Infelizmente é comum não darmos muita importância e nem mesmo o devido crédito às histórias, temos a tendência de considerarmos histórias as “versões menos confiáveis” dos fatos. O problema disso é que nos dias de hoje fatos estão a um “google” de nós, em questão de segundos podemos ser “experts” em diversos assuntos. O que vai nos diferenciar então, se saber das coisas já não é mais problema?

Com toda certeza o que pode se tornar diferencial em um bom projeto de design é a capacidade de contar uma história emocionalmente envolvente, mais rica em significados e sentimentos.

Um bom exemplo disso é o que acontece no filme Inception (“A Origem” – Atenção para Spoilers) onde o personagem Saito (Ken Watanabe) contrata os serviços de Cobb (Leonardo Di Caprio) para plantar uma ideia complexa na mente de Fisher (Cillian Murphy). Saito queria que Fisher desistisse de tocar os negócios do pai após sua morte. Cobb decide que não vai torturar Fisher com horas de powerpoints, ou enfadonhos dados estatísticos e nem mesmo com análises sobre o mercado, ao contrário, decide contar a ele uma história envolvente, algo sutil mas que fosse rico em significado e emoção. Cobb e sua equipe sugerem dentro da mente de Fisher que ele seja ele mesmo, pois o último desejo de seu falecido pai era de que ele trilhasse seu próprio caminho, absolvendo-o do fardo de ter que carregar o peso da empresa do pai nas costas. Para reforçar o apelo emocional Cobb usa uma evidência física, um cata ventos pra ser mais preciso, isso faz Fisher se lembrar de sua infância e de como era bom ser ele mesmo, fazendo sempre o que ele gostava de fazer, e não o que mandavam ele fazer. Isso obviamente acelerou o processo cognitivo da ideia plantada na mente de Fisher e ele “entendeu o recado”.

O que você consegue perceber de interessante nesta história que eu contei?

O mais interessante ao meu ver foi a maneira como usaram da metáfora para contar uma história envolvente, principalmente pelo uso da evidência, o cata ventos que ajudou Fisher a entender uma ideia complexa pelo prisma de uma ideia simples. Genial!

Não basta mais criar apenas boa estética ou boa funcionalidade para as coisas, produtos e serviços, eles precisam atingir o emocional das pessoas através de boas histórias muito bem contadas. E como fazemos pra contar uma boa história?

O filme Inception nos dá uma boa dica, uma narrativa envolvente aliada a evidências metaforicamente ricas com toda certeza auxiliam a “fisgar” o emocional das pessoas. As pessoas procuram sentido pras coisas, pra vida, é isso que elas vão procurar também na gôndola do supermercado, nas prateleiras das lojas, nas livrarias, enfim, devemos ser não só designers, mas também stoytellers.

Dicas para treinar seu storytelling:

Não há nenhum feitiço mágico que irá te transformar num Joseph Campbell ou em um Eduardo Spohr da noite pro dia, o segredo é praticar.

Pegue fotos de noticias na internet e tente construir um cenário pra ela, pense nas pessoas que estão nas fotos, suas histórias de vida, o que fez elas estarem ali, como elas foram parar ali, o que elas vão fazer depois desta cena, etc. Assim você vai exercitar a construção de histórias baseada na vida das pessoas.

Mantenha um blog de histórias, crie mini contos, desenvolva uma história em quadrinhos, tirinhas, etc.

Consuma literatura sem preconceitos, leia revistas de negócios, aprenda sobre filosofia ou sociologia, estude o funcionamento da mente humana, acabe com um livro do Harry Potter em menos de um dia. Retirar o seu preconceito literário vai lhe ajudar a expandir seu repertório e evoluir sua gramática narrativa.

Jogue RPG, Dungeons & Dragons, Vampiro, Magic.

Leia “O herói de mil faces” de Joseph Campbell. Leia “A batalha do apocalipse” de Eduardo Spohr. Leia “Made to Stick” de Chip & Dan Heath.

Bom espero que este post abra uma boa discussão sobre o assunto, e peço que fiquem a vontade pra enviar sugestões de exercícios de storytelling.

Forte abraço. #Shalom

@doocavendish

por tennyson pinheiro.:

“The doctor should be opaque to his patients and, like a mirror, should show them nothing but what is shown to him”

Sigmund Freud

Você assiste a um filme de suspense e automaticamente sua respiração se torna ofegante e sua musculatura do rosto tensa. Mergulha em um filme de drama, para em pouco tempo “sentir na pele”  o sofrimento da protagonista e se pegar enxugando algumas poucas lágrimas do rosto. Só de ouvir um amigo te contar sobre ter presenciado um acidente no qual alguém machucou feio o joelho, você se pega passando levemente a mão em seu joelho. Ou pelo menos com vontade de fazer.

Já parou para pensar sobre isso? Vamos pensar juntos agora… Que tal?

Em meados de 1990, alguns cientistas italianos fizeram uma incrível descoberta ao estudar a reação de macacos a determinados estímulos. Um belo dia, um dos cientistas fez um movimento para alcançar a sua comida e observou que a área do cérebro do macaco responsável pelo mesmo movimento foi estimulada. Como isso poderia estar acontecendo? Como a área do cérebro do macaco responsável pela movimentação do seu braço poderia estar acendendo se o macaco estava sentado e apenas observava o cientista?

A série de testes e experimentos que se seguiram foram  responsáveis por uma das maiores descobertas das ultimas décadas: os neurônios de espelhagem. Um conjunto de neurônios responsável pelo vinculo empático que nutrimos pelas outras pessoas.

A eles é dada a responsabilidade de reconhecer expressões faciais, interpretar intenções, bem como fazer-nos sentir remorso ao vermos que causamos alguma dor a alguém.

Ao serem submetidos a testes de ressonância magnética funcional, psicopatas demonstram baixa atividade nessa região, o que, acredita-se, ser o principal fator responsável pela sua falta de capacidade de assumir culpa, comportamento considerado um das maiores indicadores de sociopatia.

Um estudo demonstrou que mesmo acontece com crianças autistas, que, por possuírem pouca atividade nessa área, não conseguem contextualizar e compreender muitas das coisas que para muitos são invisíveis de tão óbvias.

Assim como outras áreas do cérebro, os neurônios de espelhagem de determinado indivíduo podem concentrar mais atividades do que os de outro individuo, dependendo do tipo de papel social que desempenha e como vive a sua vida no dia a dia.

Isso talvez explique algumas diferenças socioculturais que encontramos ao nos depararmos com pessoas de diferentes lugares. Uma cidade como Nova Iorque ou São Paulo possui ritmos bem diferentes de cidades como Rio de Janeiro ou Sidney, e isso molda a maneira como as pessoas se conectam, ou  não se conectam, umas às outras em seu dia a dia.

Em cidades onde o grau de individualidade é mais alto, acredita-se que as áreas responsáveis pelo vínculo empático com outros seres humanos sejam menos estimuladas, e com isso, recebam menos prioridade em meio a toda a atividade cerebral do indivíduo.

Em outras palavras, as pessoas se tornam mais “frias” umas com as outras, principalmente em relação àquelas de fora de seu círculo de relacionamento, e que, por conta disso, não estão de alguma maneira amarradas a algum contexto emocional em suas mentes.

E aquele vizinho que você sempre encontra mas com o qual nunca puxa assunto, ou aquele colega de trabalho que, apesar de você ver todo dia, não sente vontade de se engajar em um relacionamento mais significativo.

Não é difícil lembramos de pessoas que vêm e vão em nosso dia a dia e participam da nossa vida agregando valor e consumindo valor, mas não fazem parte de nosso ciclo de emoções. Um mal típico das grandes cidades.

O problema da baixa atividade dos neurônios de espelhagem é ainda agravado nesses cenários pela alta atividade da região reptiliana do cérebro. Essa região foi a primeira  a ser desenvolvida e está presente no cérebro de todos os animais. Ela mantém algumas funções básicas funcionando (como a respiração) e é responsável por disparar as três reações mais básicas de todo animal: congelar, correr ou lutar.

Com a pressão do dia a dia, desencadeada principalmente pela vontade de elevar o status social, não é incomum que o reptiliano assuma o controle diversas vezes, trazendo à tona a sensação da caça a sobrevivência vivenciada pelos nossos ancestrais. Não é à toa que chamamos esses grandes centros de “selvas de concreto”. E que utilizamos expressões como “tenho que matar um leão por dia”.

Muito da agressividade presente em cenários como Wall Street e em todas as culturas corporativas “filhas”  desse modelo pode ser explicada por esse trade-off de atividade entre os neurônios de espelhagem e o cérebro reptiliano. Um é consideravelmente colocado de lado, enquanto o outro é constantemente acionado para garantir a sobrevivência de mais um dia.

Pessoas foram educadas, empresas construídas, sociedades alicerçadas sob essa ótica, a de que o papel do trabalhador é o mesmo do antigo caçador:  aprimorar sua técnica, métodos e habilidades, ganhar conhecimento e aplicar esse conhecimento com a finalidade de garantir sobrevivência e conforto para si e sua família.

E, de fato, essa lógica não está errada. Faz parte de nossa natureza, em um ambiente competitivo, mostrarmos agressividade. Cada um da forma que melhor a expressa.

Com o passar dos anos, a maioria das corporações construiu em cima desse gatilho estímulos para aumentar a competição e a agressividade, ao contrário de mecanismos de diminuição e controle desse ímpeto natural.

O problema?

Quando nos sentimos ameaçados e o reptiliano assume, nossos vínculos empáticos são desligados e todo o processamento criativo e “gestáltico”  dá lugar a uma visão afunilada e simplificada. Isso acontece para que nenhum recurso seja desperdiçado em nada que não esteja relacionado com o contexto da ameaça, aumentando assim nossas chances de sobrevivência a situações de risco.

Em suma, para alavancarmos a inovação dentro de qualquer corporação, é preciso repensarmos os alicerces que formam a base da geração e a percepção de valor cunhados desde a revolução industrial e carregados nas costas por executivos a um alto preço até os dias de hoje. Precisamos de novos modelos, que sustentem um ambiente mais colaborativo e menos competitivo, e que celebrem as diferenças entre as pessoas, pois é delas que nascem as novas ideias.

Precisamos de uma nova anatomia para a cultura corporativa. Uma que esteja mais alinhada e seja capaz de fomentar a incrível natureza do pensamento criativo humano.