De pessoas para pessoas

por Marcos Paulo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há alguns dias fui vítima de uma dessas “tempestades de verão” em São Paulo.

Depois de um agradável almoço com minha namorada e um casal de amigos, partimos com o carro para uma loja em Pinheiros afim de matar o tempo, pois chovia muito e meu amigo estava de moto (sim, é o mesmo amigo do meu primeiro post). Quando estávamos na Cardeal Arcoverde o trânsito parou repentinamente, minha namorada freou, no entanto o carro deslizou e bateu em outro que estava logo a frente.

A batida não foi forte e felizmente ninguém se machucou (salvo o bolso da Danielle). Nessa altura do campeonato a única coisa que vinha em minha mente era: Vamos ter que fazer um Boletim de Ocorrência (o famigerado B.O.).

Não sabíamos onde havia uma delegacia ali por perto, acabamos indo parar em uma na Alameda Glete. Lá descobrimos que a polícia civil não faz esse tipo de B.O. (fica a dica). Sem muito entusiasmo nos orientaram ir  a uma base comunitária situada próxima a Santa Casa.

Lá havia um solícito rapaz do Programa Jovem Cidadão que nos auxiliou estacionar o carro e fomos recebido imediatamente por um policial que nos convidou para entrar e ofereceu um cafezinho (isso mesmo, um cafezinho). E ai começou a burocracia.

Como sempre foi um processo longo e cansativo, porém não desagradável, muito pelo contrário, o ambiente tinha um ar leve e os policiais eram todos muito amigáveis. Fiquei o tempo inteiro observando e notei a boa relação que construíram com a população local.  No período que fiquei na base, os policiais atenderam diversas chamadas, desde situações simples como uma mulher do interior desesperada por estar perdida em São Paulo, até mais complexas como suicídio. Em todas as situações os oficiais atenderam as pessoas de forma mais humana do que eu estava acostumado a testemunhar.

Enquanto a Danielle continuava com a burocracia eu iniciei um bate-papo com um dos soldados afim de descobrir de onde veio essa transformação. Descobri que essa mudança vem acontecendo há alguns anos, principalmente nas bases comunitárias. A PM (Polícia Militar) de São Paulo vem realizando um intercâmbio com a polícia do Japão que possui mais de 130 anos de experiência com policiamento comunitário.

A ideia é humanizar o atendimento junto a comunidade. Criar vínculo mais empático com as pessoas, afim de melhorar os serviços prestados e o relacionamento com a população local. Estão entendendo que os serviços prestado pela polícia deve ser de pessoas para pessoas e não de policiais para bandidos.

No meu ponto de vista, essa pequena mudança na qualidade do serviço prestado pela PM já começa a gerar mudanças na vida da comunidade local, porém a mudança talvez seja maior no dia a dia dos próprios policiais. Era nítido em seus rostos e atitudes que o trabalho tem melhorado.

Quando desenvolvemos qualquer tipo de serviço sempre temos que ter em mente pessoas no centro do projeto certo? Mas parece que a Polícia tinha se esquecido disso. Ao iniciarem esse movimento de humanizar o policiamento comunitário, o serviço como um todo já melhorou substancialmente. Além disso faz com que nós enxerguemos esses policiais também de forma mais humana.

Todo mundo ganha.

É isso aí. Seja mais humano.

Bom Feriado.

@marcoz_paulo

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