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Monthly Archives: May 2012

por Marcos Paulo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao contrário de muitos brasileiros, meu esporte favorito não é o futebol. É o esporte a motor que me apaixona, sendo a Fórmula 1 a categoria que mais me fascina.

Como em qualquer outro esporte, temos aqueles caras especiais que fazem a diferença e sempre serão lembrados por suas vitórias, como o herói Ayrton Senna ou o sagaz Nelson Piquet (meu preferido). Mas a F1 é um esporte em equipe, e muitas vezes isso não é lembrado. Existe um exército de engenheiros, projetistas, designers e mecânicos que trabalham duro para conceber o melhor carro para seus pilotos.

E uma das etapas mais importantes na concepção de um F1 é a prototipagem. É isso mesmo. As equipes investem grande parte de seus recursos de tempo, inteligência e dinheiro testando e melhorando itens mecânicos, aerodinâmicos e até mesmo combustíveis e lubrificantes.

Alguns projetistas, como o genial Adrian Newey, iniciam seu projeto ainda no papel. Ali mesmo já avaliam se determinadas ideias estão dentro do regulamento e se poderão receber novas partes mecânicas, por exemplo.

Então é feito um modelo virtual realístico, que permitirá avaliar com mais precisão as soluções desenvolvidas para o bólido. Como ainda está no virtual, é possível fazer mudanças estruturais sem demandar grandes investimentos.

Ainda no meio digital, são realizados testes aerodinâmicos com a ajuda de um software chamado CFD (Computational Fluid Dynamics).  Este recurso é usado para diminuir custos, afinal, usar um túnel de vendo é muito dispendioso.

Depois disso, é criado um mock-up em escala reduzida que será levado ao túnel de vento para as avaliações finais. Os resultados obtidos nesses testes aerodinâmicos são muito similares ao que terão nas pistas.

Só então são construídos os modelos finais que estarão nas pistas para: MAIS TESTES!

No início deste mês, as equipes foram até Mugello na Itália para realizar os ensaios finais em seus carros antes do início da fase europeia do campeonato. Muitas peças embarcadas no carro ainda estavam em caráter de “protótipo piloto”.

Ufa, quanta coisa não é?

Se na F1 onde existe um cenário tão competitivo, onde criar elementos que permitam aos pilotos ganharem alguns milésimos de segundos, são feitos tantos testes, por que no nosso dia a dia os protótipos são muitas vezes deixados de lado?

Prototipar permite que você erre e corrija cedo, abrindo a possibilidade de fazer alterações antes de ter realizado grandes investimentos. Modelos são ótimos para comunicar ideias e receber feedbacks. Além disso ajuda a criar novos conceitos e validar soluções.

Você pode, por exemplo, fazer um protótipo de interação de usuários com um aplicativo utilizando simples cards de papel e desenhos feitos com sua lapiseira favorita. Você visualizará novas possibilidades e ira provocar reações que garantirão uma grande quantidade de insights.

Use como inspiração o “Circo da Fórmula 1” e prototipe mais.

Seja mais piloto de testes.

@marcoz_paulo

por Fabio Amado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ahhh férias! Tirei as minhas na semana passada. Parar de pensar no trabalho? Jamais! Rsrs. Não que eu seja um “workaholic”, mas desde que conheci a abordagem do Design Thinking comecei a aplicar inevitavelmente em todas as situações da minha vida.

Nessa segunda eu e o Gustavo Bittencourt apresentamos o tema em um bate papo para umas 60 pessoas na Escola São Paulo, e muitos dos participantes pediram vários tipos de exemplo da aplicação da abordagem. Ao buscar na minha mente um caso recente, lembrei do planejamento da minha viajem de férias.

Situação peculiar: minha família é enorme e muito unida! Marcamos de ir em 8 de nós, juntos para Nova York! Como resolver o roteiro de 8 pessoas de estilos totalmente diferentes indo compartilhar 1 semana na cidade mais cosmopolita do mundo?

Design Thinking!

Pensei em aplicar um workshop com usuários, que fizesse com que todos co-criassem um só roteiro de viagem que fosse desejável, financeiramente viável e tecnicamente possível para todos. De início pedi que todos com interesses particulares já fizessem uma desk research e pesquisassem lugares que gostariam de visitar. Com a ajuda de um guia turístico e muitas dicas de amigos e blogs, selecionamos o que um bom turistão não poderia deixar de conhecer.

Anotamos cada item – passeios, lojas, restaurantes, eventos, museus e etc. – em post its de cores diferentes, cada assunto tinha uma cor específica. Colamos na parede e depois com o mapa de Nova York impresso em um board com mais de 1 metro quadrado, fomos reposicionando os post its nos endereços de cada atração. Depois de todos os endereços localizados conseguimos dividir os “afazeres” por dia e já traçar o caminho a percorrer no mapa, mantendo sempre a categoria – lojas – para o fim de cada dia.

Mantivemos separados os post-its de lugares ou coisas que nem todos gostariam de fazer, para que cada micro-grupo ou até mesmo uma pessoa sozinha pudesse montar seu próprio roteiro na sexta e no sábado, dias classificados como “dia-livre”.

Após 3 horas de sessão, conseguimos chegar em todos os passeios que fossem relevantes para cada um de nós, e com isso evitar aquelas dores de cabeça que sempre temos quando viajamos em grupo. O workshop também foi bom para dividirmos todas as tarefas pré-viagem e principalmente para alinharmos as expectativas de conhecer uma nova cidade. Ao chegar na cidade 90% do nosso planejamento deu certo. Ao ver como ela realmente é, não pude deixar de sentir falta de uma prototipagem, mas como prototipar algo tão peculiar? Vou considerar essa minha primeira ida como experimentação, porque pude concluir que Nova York é uma cidade para ser descoberta a cada passeio, e que é preciso reservar mais tempo para essas experiências, mas o bom é que isso estimula o retorno.

Concluindo, acredito que esse tipo de abordagem poderia ser facilmente utilizada por uma agência de turismo junto ao seus clientes, alinhando a experiência e o know-how da operadora com a expectativa dos viajantes, dando a oportunidade para cada um dos turistas personalizar de forma colaborativa os seus roteiros. Temos sempre que lembrar que o foco de qualquer serviço é a relevância que ele traz no dia a dia das pessoas que o utilizam. Afinal todos são seres humanos em buscas de experiências e histórias para contar.

@fabioamado

 

por Gustavo Bittencourt:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olá!

Desde que comecei a me interessar e a estudar Design de Serviços e Design Thinking eu me deparo com questões semelhantes, vindas de pessoas de diversas áreas, especialmente designers. Não seria uma moda? Algo que veio mas que amanhã vai ser substituído por um termo novo ou por alguma coisa mais legal? Isso é relevante? Bruce Nussbaum, que escreve para revistas e blogs importantes, aproveitou para tentar surfar essa onda em artigos que falam sobre a morte do Design Thinking.

É fato que o tema tem atraído muita atenção nos últimos anos e que por isso pode ser visto como um modismo, mas é muito mais. Olhar para o passado pode elucidar essa questão.

O Design como disciplina surgiu com a Bauhaus a partir de uma demanda da Revolução Industrial. No passado, tudo era feito por artesãos, em escala reduzida e com bastante relevância, já que cada item levava em consideração as necessidades específicas de quem iria utilizá-lo. A Revolução trouxe o ganho de eficiência e a possibilidade de se produzir em grandes escalas. Mas o que estava sendo produzido não era mais tão relevante. O designer surge então como a fusão do Artesão com o Engenheiro, e seu papel é dar mais significado as coisas produzidas pelas máquinas.

Mas o que aconteceu depois disso? Com o passar do tempo o designer foi perdendo relevância e sendo jogado para o final do desenvolvimento, virou a pessoa que deixa as coisas bonitas, o criador da “casquinha”. Tínhamos poucas informações sobre o que estávamos consumindo, o marketing de mensagens dizia o que o produto deveria ser e os CEO’s ocupavam seu tempo tomando decisões de dentro para fora e eram considerados pop stars por isso.

Mas esse mundo mudou, e já mudou tem bastante tempo. E aquele cara que fazia “casquinhas” passou a sentar com a alta gestão das empresas, pensar em estratégias de negócio, ajudando a criar soluções mais relevantes para as pessoas, isso é Design Thinking (quer aprender? pergunte-me como:) . É a volta da busca pela relevância, é a segunda Bauhaus. A abordagem do design extrapolou a disciplina tradicional e encontrou profissionais das mais variadas formações, engenheiros, médicos, administradores e por aí vai. É muito difícil portanto encarar tudo isso como um mero modismo.

O mais importante é tomar cuidado com quem se aproveita disso para alcançar fama, e fala sobre o tema com a profundidade de um pires, causando mais confusão do que benefício.

Obrigado!

@gus_bittencourt