Archive

Monthly Archives: March 2012

por Fabio Amado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quantas vezes você já se deparou com uma enorme quantidade de informações após uma jornada inteira de pesquisa?

Sair a campo, observar, conhecer as pessoas, fotografar, enfim… é primordial utilizar todas as ferramentas disponíveis de uma pesquisa etnográfica para gerar a maior quantidade de insumos para o seu projeto.

Mas após tudo isso, o que fazer com esse material? Como processá-lo de forma objetiva sem deixar passar dados relevantes? Qual a melhor opção para organizar e dar sentido à essas informações que, com certeza nortearão o destino do seu projeto?

Existem vários tipos de ferramentas de pesquisas e cada uma delas gera o seu tipo de visualização. Nesse post, eu faço um breve passo a passo baseado em uma Entrevista de Profundidade (mas com certeza as dicas podem ser adaptadas para outras ferramentas, usadas separadamente ou em conjunto). Esse processo te ajudará a criar um ambiente mais convidativo para entender os resultados e dar início ao processo criativo.

1-    Antes de mais nada, entenda a sua ferramenta e organize a sua aplicação

No meu caso, a “Entrevista de Profundidade”. Bom, consiste no aprofundamento da equipe de projeto a campo para conhecer melhor a vida dos usuários e promover conversas (não questionamentos), convidando os participantes a contarem suas histórias dentro de um ambiente informal. O interessante nesse momento é sempre manter o entrevistado em uma zona de conforto, só assim conseguiremos bons insights.

2-    Top 10 Insights

Após o término de cada entrevista é extremamente importante anotar as 10 observações que mais chamaram sua atenção. Tente extrair esses 10 insights da sua memória, sem revisitar as anotações e gravações da entrevista. Isso tudo faz com que as coisas mais relevantes no seu ponto de vista entrem no projeto.

3-    Coloque tudo na parede

Arrume uma parede grande em seu escritório, e comece a colocar nela todo o material, de forma organizada (por entrevista). Separe os highlights, como fotos, citações importantes do entrevistado, seu ponto de vista e principalmente o “top 10 insights”. Separe essas informações por afinidade e ao dar um passo para trás você irá perceber que tem uma organização visual de todo o material. Porém a visualização rápida dessa informação ainda está comprometida.

4-    Infográfico é o caminho

Agora é a hora de utilizar todas as suas habilidades de Designer para dar um apelo visual para o material previamente organizado da entrevista. É a hora de transformar toda a pesquisa em um grande infográfico. Os insights já estão separados por afinidade, mas agora, na tela do computador, as cores começam a ter significados, o sentido do projeto é direcionado pela relevância dos pontos de vista e as citações mais importantes precisam validar suas futuras criações. É de grande importância pensar na função desse infográfico e não apenas no valor estético.

5-    O nascimento do Userboard

Imprima cada entrevista compilada em um formato 90×90 (é o tamanho que adotamos aqui na live|work) e os coloque na parede. Deixe todos os boards em um local onde você consiga enxerga-los de uma vez, isso possibilita a comparação entre as entrevistas.

Pronto, você acabou de fazer um Userboard. Tudo o que for importante estará aí, e de maneira organizada. Baseie-se e norteie-se pelos Boards para qualquer direcionamento do projeto. Mantenha-os sempre a vista. Eles já te serviram como um filtro e agora serão a bússola para o sucesso do seu projeto.

@fabioamado

 

por Gustavo Bittencourt:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olá! Sustentabilidade está em voga atualmente, só morando em outro planeta para não ter ouvido falar nada a respeito. Empresas, revistas e pessoas falam muitas coisas sobre esse, que é merecidamente um tema de grande repercussão.

Continuamos destruindo recursos naturais, grande parte das empresas tentam parecer sustentáveis, mas na verdade são estruturadas como se fossem fábricas do século passado, produzem coisas usando muitos recursos e sem se preocupar com o lixo que vão gerar. Um documentário essencial, ‘The Corporation’ constrói toda a sua a narrativa comparando o comportamento das grandes empresas com o de um psicopata. Ficou surpreso, exagero? Olhe alguns sintomas e veja se não consegue imaginar nenhuma:

  • Frieza e ausência de sentimentos;
  • Muito mais razão que emoção;
  • Irritabilidade e intolerância às frustrações;
  • Mentiras e comportamento fantasioso;
  • Vazio existencial e tendência ao tédio;
  • Manipulação e chantagem;
  • Egoísmo e egocentrismo.

Mas é claro que nem todas as empresas se comportam assim. Muitas já começaram a se preocupar com o impacto que causam e principalmente com a crescente preocupação dos consumidores em comprar produtos ‘verdes’. Aí é que nasce o pensamento de poluir menos. Como conseguir reduzir o lixo gerado, o CO2 emitido e por aí vai. Esse pensamento está errado.

Passamos muitos anos com o pé no acelerador, e se esforçar para reduzir a velocidade continuará nos levando para o caminho errado. Essa preocupação é importante, mas devemos repensar o modelo de uma forma mais profunda.

Calma, eu não acho que não tem volta, nem que devemos mudar radicalmente nossa forma de viver. Mas vamos parar para pensar um pouco sobre isso, temos que reduzir o lixo que produzimos? Mas o que é lixo? Lixo é um conceito criado por nós, é uma distorção do que acontece na natureza. A folha caída da árvore alimenta um novo ciclo, assim como os restos de um animal ou qualquer outra coisa.

No livro ‘Cradle-to-Cradle’, os autores defendem que esse sim é o conceito de sustentabilidade que devemos buscar. E esse pensamento afeta tanto as empresas quanto os consumidores. Devemos ter essa preocupação ao comprar algo, se essa coisa é realmente necessária, nas possibilidades de dividir esse bem com algum amigo ou com outra pessoa e no que fazer quando não tiver mais utilidade.

Já as empresas devem pensar no ciclo que as coisas têm, enxergar as oportunidades escondidas e servitizar as suas ofertas. Imagine uma cadeira, ao invés de sumir do mapa após a venda, as empresas poderiam disponibilizar um canal para que entrássemos em contato quando a cadeira não fosse mais útil. Poderia assim, dependendo da condição, revender, reciclar, enfim esse é só um exemplo.

Pensando dessa forma podemos chegar a caminhos que não seriam alcançados só tentando reduzir a destruição, o lixo é uma invenção.

Um grande abraço!

@Gus_Bittencourt

por Clarissa Lütke:

 

Oii!

Com certeza, se você abrir seu armário ou apenas olhar à sua volta, irá ver alguns produtos que ama. Você já parou para pensar por que você os ama? É pela cor? Pela forma? Porque foi um presente? Por sua utilidade? Por você tê-lo há anos? Ele torna sua vida mais fácil, ou apenas deixa sua casa mais bonita? Ou ele torna sua vida mais fácil por deixar sua casa mais bonita?

Existem muitos tipos de emoções e motivos pelos quais nos apegamos às nossas “coisas”. E isso não é por acaso. Hoje em dia, baseados em métodos de pesquisas, estratégias, análises de comportamento e cotidiano das pessoas, os produtos são produzidos de forma que “falem” com seus consumidores, que os cativem.

Já sabemos que o foco de um designer, ao projetar, é o ser humano. O designer tem o papel de conhecer muito bem seu consumidor. Bem ao ponto que possa humanizar produtos e serviços. Aumentando não somente a praticidade na vida das pessoas, mas tornando aquela pessoa mais feliz, atribuindo valor emocional ao que ela consome. Disponibilizando, além do que se procura na prateleira, a oportunidade de consumir algo que torne seu dia mais lúdico, sua vida mais positiva, que traduza sua personalidade, sem descartar a utilidade.

Donald Norman, autor do livro Design Emocional, analisa um produto em três partes: o lado visceral, que está ligado o primeiro impacto que você tem ao ver um produto. O lado comportamental, mais profundo em relação ao anterior, englobando o prazer e a afetividade no uso. E o lado reflexivo, intelectual, como por exemplo o status que ele representa. Segundo Norman, esses são os três níveis que devem ser alcançados para satisfazer plenamente as expectativas de um consumidor. Um bom exemplo para isso (um tanto clichê, mas ok), é o Iphone: bonito e elegante, várias funções que fazem com que o usuário se apegue facilmente aos serviços oferecidos e, pelo menos aqui no Brasil, sinônimo de status.

Todos nós queremos expressar o que somos, e a maioria quer ser diferente, único. Inúmeras vezes expressamos isso através do que consumimos, e isso torna a demanda pelo “algo a mais” latente.  Às vezes consumimos por necessidade, às vezes nossos desejos subconscientes comandam, por status ou para nos confortarmos.

Já que vivemos em um mundo material, onde a maioria consome mais do que precisa, então que compremos coisas que amamos, não acham? Não estou defendendo a ideia de sairmos por aí consumindo deliberadamente e descartando o que temos em casa para comprar coisas que tragam nossa emoção à tona. Acho essencial humanizar o que consumimos, mas também temos que tomar um pouco de cuidado para sabermos separar o joio do trigo, conseguir balancear o custo x emoção x benefício dos produtos que nos são oferecidos, comprar de forma “consciente e amorosa” e não apenas imposta, por pura sedução.

Da próxima vez que você for consumir, preste atenção no que você sente, é interessante.

Até mais!

@clarissalutke

 

por Douglas Cavendish:

o que é branding?

Olá pessoas, como vão? Espero que bem.

O carnaval passou e agora o ano começou de verdade, muito trabalho e muito crescimento pra todos nós no decorrer deste ano!

Vamos lá!

Hoje quero falar sobre um assunto que está em alta e que muita gente entende errado, vamos falar sobre Branding. Pra você o que é branding? Gestão de marcas? Construção visual? Estratégia de negócios? Pensa aí…

Branding se tornou uma palavra muito utilizada e na maioria das vezes mal utilizada, tudo tem nome de branding hoje em dia, não é verdade? Personal Branding, Digital Branding, Place Branding, Whatever Branding. O problema disso tudo não está em criar vários nomes, ou segmentar cada forma de se fazer branding, mas sim em como as empresas que estão utilizando isso entendem e entregam os projetos ditos de branding.

Não é só sobre criar a “identidade” de uma marca, seja visual, verbal ou cultural, mas também sobre criar a experiência que o usuário vai ter com essa marca. O que acontece com muitas empresas que dizem entregar branding é que elas projetam apenas metade do serviço de uma marca, geralmente entregando ao final de um projeto um “brandbook” onde apresentam a identidade da marca e uma proposição de como a empresa deve agir estrategicamente, porém, essa proposição dificilmente toca quem vai ter contato real com a marca, os usuários, o que acaba gerando um enfraquecimento no posicionamento da marca. Isso geralmente acontece porque este mercado ainda mantém uma mentalidade baseada na estética ou nos produtos ofertados pela marca e não no serviço que ela presta, que aliás é a razão pela qual essa marca existe. Por isso é muito comum o usuário se deparar com evidências de marca extremamente belas e eficientes aliadas a um discurso comovente que aumentam não só a promessa da marca, mas também a expectativa de quem vai consumi-la, porém, quando o usuário interage com a marca usando-a em seus vários pontos de contatos, percebe que o que foi prometido a ele não está sendo entregue (vide os serviços de telefonia do Brasil, campeões de reclamações pelos clientes) e, por isso, se decepciona, esse gap entre o que foi prometido e o que foi entregue é o que gera relacionamentos de ódio e desgosto entre usuário e a marca.

Portanto, branding é mais sobre pensar nas pessoas e como conseguir construir marcas relevantes pra elas, marcas que participem de sua personalidade, marcas que convivam com seus interesses e que pertençam às suas prioridades, ou sejam marcas com vínculos mais empáticos. Por exemplo a estratégia de “branding” da Starbucks chamada “Terceiro Lugar”, que consiste em se colocar como o terceiro lugar na vida de seus usuários numa escala de interesse e prioridade, depois da casa e do trabalho. Entendem o que eles querem se tornar? Entendem o tamanho da relevância que a marca tem que oferecer para seu cliente pra que ela consiga alcançar isso? Não é apenas discurso ou belas evidências, mas emoção, processos, resolução rápida e eficaz de problemas, ou seja, coisas que vão fazer os clientes Starbucks colocarem na prática a marca em terceiro lugar na sua vida. Genial.

Precisamos servitizar nossa forma de pensar projetos de branding, precisamos unir o pensamento do graphic design com o pensamento do service design, num modelo cocriativo e multidisciplinar, pra podermos entregar um projeto completo que vai realmente fazer a diferença na vida das pessoas, e com isso gerar valor para as marcas.

Forte abraço a todos, até a próxima! #shalom
@doocavendish